Ganhos potenciais do brasileiro são reduzidos a 56%
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segunda-feira, 12 de novembro de 2018
Mie Francine Chiba <br> Reportagem Local 
As crianças nascidas hoje no Brasil irão perder 44% dos seus ganhos potenciais na vida porque os governos, atualmente, não estão fazendo investimentos efetivos no seu povo para assegurar uma população saudável, educada e resiliente, pronta para os postos de trabalho do futuro. Essa é a conclusão do Banco Mundial. Em relatório divulgado no início de outubro, a entidade mostra que o ICH (Índice de Capital Humano) do Brasil é de 56%.
O capital humano é o conhecimento, habilidades e saúde que as pessoas acumulam ao longo de suas vidas. Segundo o Banco Mundial, este tem sido um fator fundamental por trás do crescimento econômico sustentável e das taxas de redução de pobreza de muitos países no século 20, especialmente no leste asiático.
O Índice de Capital Humano, por sua vez, mede quantidade de capital humano que uma criança nascida hoje pode esperar atingir aos 18 anos, dados os riscos de saúde e educação deficientes que prevalecem no país onde ele ou ela vive, de acordo com definição da entidade. O ICH, portanto, reflete a produtividade de uma criança nascida hoje como trabalhador do futuro, comparada com o que seria se ele ou ela tivesse saúde total e educação completa e de alta qualidade, em uma escala de zero a um, com 1 sendo a melhor pontuação possível.
O ICH coloca o País em 81ª posição no ranking dos 157 países onde o índice é calculado pelo Banco Mundial. O primeiro colocado é a Singapura, com índice de 88%. Em 2017, o índice brasileiro é maior que a média para a sua região, mas menor que a média para o seu grupo de renda (renda média). Na América Latina, Chile lidera o ranking, com ICH de 67%. O relatório do Banco Mundial mostra ainda que o ICH do Brasil manteve-se quase o mesmo de 2012 a 2017.
Para calcular o ICH, o Banco Mundial leva em consideração seis indicadores relacionados à educação e à saúde: probabilidade de sobrevivência até os cinco anos; expectativa de anos de estudo; resultado harmonizado da aprendizagem; aprendizado ajustado aos anos de estudo; taxa de sobrevivência dos adultos; e taxa de crescimento saudável de crianças até os cinco anos.
LACUNA
Os dados do relatório mostram que o Brasil tem bons resultados na área de saúde - a probabilidade de uma criança sobreviver até os cinco anos é de 99%; e as taxas de crescimento saudável de crianças até os cinco anos e de sobrevivência de adultos são de 94%. Mas os indicadores relacionados à educação deixam a desejar, sobretudo no que diz respeito à qualidade. Embora a expectativa de anos de estudo das crianças brasileiras seja de 11,7 anos, o aprendizado ajustado aos anos de estudo (o que a criança efetivamente aprende na escola), corresponde a apenas 7,6 anos - uma lacuna de quatro anos de aprendizado. Além disso, os estudantes possuem nota reduzida no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) coletados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
"Nosso grande problema é a qualidade da educação pública", comenta Pedro Olinto, coordenador setorial de Desenvolvimento Urbano e Pobreza do Banco Mundial no Brasil. "Temos hoje em dia quase todas as crianças no ensino fundamental. Mas poucas dessas passam para o ensino médio e menos ainda para o ensino superior. Então, precisamos trabalhar em melhorar a qualidade da educação para que elas possam prosseguir aos níveis de ensinos médio e superior."
No entanto, Olinto explica que não se trata de aumentar o investimento em educação. "O banco tem um estudo que mostra que o Brasil já gasta o suficiente com educação. A questão não é aumentar o gasto, mas a eficiência do gasto em educação."


