Para a consultoria Economist Intelligence Unit (EIU), a média dos preços das commodities industriais deverá registrar uma alta de 6% neste ano, mas esse ganho será totalmente revertido em 2006. Em 2007, a queda será maior, de 9%. A analista sênior para commodities da EIU, Kona Haque, afirma que os preços para a maioria dessas matérias-primas continuam numa trajetória de alta diante dos baixos estoques, forte demanda chinesa e problemas na rede de abastecimento. ''Como as commodities continuam a atrair investimentos de especuladores e fundos hedge, as altas nos preços estão sendo amplificadas'', disse Haque. ''Entretanto, há crescentes sinais que os níveis de consumo para várias commodities estão começando a se enfraquecer e em 2007 a oferta global vai começar a superar a demanda.''
O chefe do departamento de risco da EIU, John Bowler, observa que essa pressão negativa sobre as commodities no próximo ano está ancorada na perspectiva de um desaquecimento da economia norte-americana. ''Além disso, e talvez mais importante, há sinais de que a demanda chinesa por commodities está declinando'', disse Bowler à Agência Estado. Também é bom lembrar, observou o analista, que a China vai gradualmente se tornar um exportador de alguns materiais que vinha comprando no exterior, como é o caso do aço.
A revista The Economist desta semana informa que desde o início deste ano, o país consumiu um terço de toda a produção mundial de aço (730 milhões de toneladas), com um crescimento anual de cerca de 20%. Mas a produção chinesa do metal está crescendo num ritmo maior, cerca de 30%. Como resultado, o gigante chinês deverá exportar neste ano a mesma quantidade de aço importado.
Uma estimativa do banco Crédit Suisse First Boston prevê que em 2006 o país poderá registrar um superávit comercial de 9 milhões de toneladas de aço, ampliando-o para 13 milhões de toneladas em 2007. Essa perspectiva já vem tendo um impacto negativo sobre os preços do metal. Bowler observa que o ''apetite insaciável'' chinês por commodities pode já ter atingido seu pico, o que sinaliza queda dos preços para os próximos anos.

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