Números divulgados ontem pelo IBGE mostram que os ganhos reais de renda obtidos pelas pessoas ocupadas no Brasil a partir de julho de 94, quando entrou em vigor o Plano Real, estão em queda. De acordo com a chefe da Divisão de Pesquisa Mensal do Departamento de Emprego e Rendimento do órgão, Marileni Mansoldo, em abril de 98 os ganhos reais (descontada a inflação) de renda acumulados desde o início do real eram de 29,66%. Em março deste ano eles desceram para 23,47%.
A pesquisa mensal de rendimentos de março, divulgada ontem pelo IBGE, mostra que o rendimento médio real do trabalho caiu 1,39% na comparação com fevereiro e 4,71% em relação a março do ano passado. No primeiro trimestre deste ano, a queda acumulada é de 4,77%.
Em março, o rendimento médio das pessoas ocupadas nas seis regiões metropolitanas que fazem parte da pesquisa era de 5,21 salários mínimos. Em fevereiro ele era de 5,22 e em março do ano passado, de 5,70 mínimos. As diferenças entre os números em salários não correspondem aos percentuais acima, porque os valores em mínimos são nominais, sem desconto da inflação.
O processo de queda no rendimento começou em maio do ano passado, segundo Mansoldo. Ela disse ainda que a queda é ‘‘generalizada , porque o desemprego está atingindo tanto as pessoas de baixa como as de alta renda. Em relação a março do ano passado, houve queda no rendimento real das pessoas que trabalham em todos os setores da economia. Na indústria de transformação foi de 7,47%. Na construção civil houve queda de 7,8%. No comércio e serviços as quedas foram, respectivamente, de 4,9% e 3,6%.

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