Os cinco primeiros meses deste ano foram os mais desfavoráveis para o Plano Real até agora em termos de evolução da renda média dos brasileiros, segundo dados do IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) pesquisados em seis regiões metropolitanas do País.
De janeiro a maio, houve quedas sucessivas da renda média em todos os meses. Foi a primeira vez que isso ocorreu, desde julho de 1994, segundo Lauro Ramos, editor do boletim ‘‘Mercado de Trabalho’’ do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O Ipea é um órgão do Ministério do Planejamento. ‘‘Pode até ocorrer um crescimento na média deste ano, mas a realidade do primeiro semestre não foi favorável em termos de rendimentos’’, disse.
De acordo com os dados do IBGE elaborados pelo Ipea, o rendimento médio das pessoas ocupadas mas regiões metropolitanas de Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife caiu de R$ 585,05 em janeiro para R$ 555,22 em maio deste ano.
A queda no período foi de 5,1%. Os valores do Ipea estão deflacionados (unificados) com base no valor do real em dezembro de 95. A renda já havia caído de dezembro de 97, quando estava em R$ 625,93, para janeiro, mas Ramos ressalva que esse dado não deve ser levado em consideração para análise, porque em dezembro há o pagamento do 13º salário e isso faz a renda crescer normalmente.
‘‘O significativo é que foram quatro meses seguidos de queda, sem considerar o aspecto sazonal de dezembro para janeiro. Essa sequência é que é diferente dos outros anos’’, afirmou o analista do Ipea. Para ele, o dado pode refletir o fim da capacidade de aumento da renda com as políticas atuais. Em setembro do ano passado, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, já admitia que a capacidade inicial do real de gerar aumento de renda estava se esgotando e que era necessário buscar novas saídas. A sequência mensal do rendimento nos cinco primeiros meses do ano passado apresentou quedas, mas foi diferente da deste ano. Houve queda de janeiro para fevereiro e de fevereiro para março, mas em abril houve inversão da tendência, o que não ocorreu este ano.
Embora em trajetória decrescente, o rendimento médio dos brasileiros nos cinco primeiros meses deste ano ainda é maior que no mesmo período do ano passado. O valor está em R$ 566,70, contra R$ 558,85 na média de janeiro a maio do ano passado. O analista do Ipea não arrisca um palpite de como vai se comportar a renda no total deste ano. Os números do IBGE para o primeiro semestre completo deverão sair ainda esta semana.

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