São Paulo - Nos últimos dez anos, houve ganhos de 24% no rendimento dos brasileiros, segundo dados da LCA Consultoria, principalmente nas classes D e E. No entanto, o aumento dos gastos com despesas fixas (moradia, transporte e taxas) é maior. Em 1995, o brasileiro despendia 51% de seu orçamento doméstico com contas fixas, enquanto os 49% restantes eram dedicados a outras despesas (alimentação, educação, artigos de higiene e lazer). Em 2003, essa proporção aumentou para 58% para despesas fixas e 42% para outras despesas. O resultado é um orçamento mais engessado, onde diminuem os recursos disponíveis para um volume muito maior de opções de produtos.
Um dos maiores fantasmas é o avanço da tecnologia e, com ele, o aumento das despesas nessa área. O número de celulares praticamente explodiu no País nos últimos cinco anos - saltou de 7% da população para 39%, um crescimento de 557%. Três em cada quatro são do tipo pré-pago. Ao mesmo tempo, o computador doméstico passou a ser rotina entre as famílias de classe média e a internet saltou de 3 milhões de usuários em 1994 para 15 milhões em 2004. Com ela, vieram despesas como pagamento de taxa de acesso, uso de banda larga e gastos com softwares e jogos.
Crédito - Ao mesmo tempo, o recurso ao crédito pessoal e consignado para compras ou pagamentos de dívidas tem aumentado. Em um ano, o crédito pessoal cresceu 23%, enquanto o consignado aumentou 114%. Isso significa um comprometimento maior do orçamento para pagamento dessas dívidas e mais uma vez uma tendência maior de cortes nos gastos que não são fixos, como as compras de supermercados.
O consumidor também está mudando seus hábitos de compra. Segundo dados do Point-of-Purchase Advertising International (Popai), organização de desenvolvimento de merchandising em pontos-de-venda, há sete anos, o consumidor levava em média 57 minutos para fazer suas compras semanais. Hoje, leva 41 minutos. No caso das compras mensais, gastava 1h38, ante os atuais 1h20. A mesma pesquisa mostra que há sete anos 73% das compras não eram planejadas, enquanto 12% eram parcialmente planejadas. Hoje, 65% não são planejadas e 16% são parcialmente planejadas.
Outra mudança diz respeito à expectativa de gasto e o quanto efetivamente é desembolsado. Em 1998, a média dos consumidores saía de casa esperando gastar R$ 115 e gastava de fato R$ 130. Hoje, o consumidor tem uma expectativa de gasto de R$ 81 e desembolsa R$ 82. Além disso, nos últimos três anos, o avanço das marcas mais baratas é inquestionável. Segundo os dados do Instituto ACNielsen, esses produtos estão em todas as categorias de mercado e cresceram 10% em participação. Eram 25,9% do mercado em 2003 e hoje são 28,5%.

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