No mundo atual dos videogames, os jogadores se deparam com dois tipos de empresas no lançamento de jogos: aquelas que demoram longos anos para trazer um título – casos por exemplo da Rockstar e Naughty Dog – e outras que não seguram a mão com suas criações e disparam games no mercado a cada temporada. Sem dúvida, a Ubisoft se encaixa nesse segundo perfil.

Jogo tem gráficos caprichados e imersão bacana em Washington DC
Jogo tem gráficos caprichados e imersão bacana em Washington DC | Foto: Victor Lopes - Grupo Folha


Basta dar uma recapitulada e perceber que as principais franquias da publisher francesa ganharam continuações em alta velocidade, casos de Assassin's Creed (quase um por ano), Watch Dogs, Far Cry (esse com dois títulos recentes) e, agora, a chegada de The Division 2. O título chega exatamente três anos depois do primeiro – e apesar de muitas críticas de jogadores em relação a esses tantos lançamentos da publisher em curto espaço de tempo, pois isso pode gerar “falta de qualidade” – o fato é que o jogo mostra consistência e evolução em relação ao primeiro.


A reportagem da FOLHA recebeu uma cópia do título. A pegada pós-apocalíptica acontece após um vírus se espalhar nas notas de dólares durante a Black Friday em Nova Iorque (primeiro jogo) e agora seguimos os desdobramentos disso em outra cidade: Washington DC. Como todo jogo patriota, somos agentes da “Divisão”, e precisamos salvar o mundo de um colapso. Aliás, o vídeo de abertura da história e como os cidadãos têm sobrevivido a tudo que aconteceu – resilientes – é simplesmente fenomenal. Vale até assistir no YouTube.


Fenomenal também é a ambientação do jogo. Washington DC, diferentemente da Big Apple criada no primeiro jogo, é viva, com cores fortes e muitas referências com a capital norte-americana. No primeiro jogo, por ser mais sombrio e cinza, até pela neve de Nova Iorque, você tinha a impressão de caminhar por lugares muito similares. Isso, sem dúvida, não acontece em The Division 2, que desde o primeiro minuto apresenta um mundo aberto incrível. Enche os olhos ver a Casa Branca, completamente destruída, ao fundo de uma missão de abertura do game.


Outro ponto que a Ubisoft acerta em cheio é a imersão. O jogo novamente está em português e a forma que os inimigos te tratam, com xingamentos e frases de efeito, é sensacional, mostrando todo o cuidado da publisher com o jogadores brasileiros. Fazer seu agente evoluir no jogo também é bem intuitivo, tanto para lidar com as armas como também habilidades. Upar level, em The Division 2, não será algo chato como em muitos games.


Bem, em relação às missões, o que é possível dizer é que elas não são nada curtas. O tiroteio vai comer solto por um bom tempo – e você irá morrer diversas vezes – até conseguir todos os objetivos. Apesar de The Division 2 ser um título para jogar em modo cooperativo, vale dizer que as missões podem ser completadas sozinhas. Dará mais trabalho, mas é possível.


Por fim, acredito que a principal crítica em cima jogo seja, mais uma vez, a repetição. Apesar das mudanças constantes de cenário, o sistema de jogo de tiro com cobertura basicamente é usado o tempo inteiro. Isso incomoda ao longo do tempo de gameplay: serão muitos inimigos mortos da mesma forma. Isso faz com que o jogo fique enjoativo.


Outro ponto que apesar da premissa da história ser bem interessante, ele acaba não se sustentando ao longo do game. Rapidamente, o jogador não vai mais se importar com as nuances do enredo e vai querer mesmo só ir matando os seus inimigos até as fortalezas do endgame.

Para jogadores, “menos é mais”

Márcio Garcia gosta da Ubisoft, principalmente das franquias Far Cry, Ghost Recon e Splinter Cell. “Porém, os jogos com o tempo se tornaram 'crtl C e crtl V', muito iguais na sua fórmula. Eles estão focando em quantidade e não qualidade. Hoje, para mim, são jogos que só compensam adquirir em promoção. Além disso, os pacotes de DLCs são demasiadamente caros e numerosos.”

Para jogadores, empresa não precisa colocar anualmente games no mercado
Para jogadores, empresa não precisa colocar anualmente games no mercado | Foto: Victor Lopes - Grupo Folha



Ele cita o exemplo de Far Cry 5, que na sequência teve uma continuação chamada Far Cry: New Dawn. O espaço de lançamento entre eles foi menos que um ano. “Nesse caso, era melhor ter feito uma DLC gratuita e, dessa forma, ainda estaríamos vendendo o Far Cry 5. O New Dawn acabou ficando na prateleira.”



Pelas respostas, dá para perceber que a empresa está inundando as prateleiras com lançamentos um atrás do outro. Isso, inclusive, acaba atrapalhando a venda dos games da publisher. Marcelo Modenutti, proprietário da Koopa Troopa Games, em Londrina, concorda que a Ubi lança “muitos jogos, um em cima do outro”. “As vezes o cliente diz que nem conseguiu terminar o jogo anterior e já tem outro. Fora que a dinâmica do mercado brasileiro é outra, os jogos são caros, e não dá pra comprar tantos.”



A reportagem da FOLHA fez uma enquete no Instagram para saber o que os jogadores acham do comportamento da Ubisoft nos últimos anos. Foram três perguntas. A primeiro: a Ubisoft lança jogos demais? 71% responderam que sim. A segunda: a Ubisoft lança games com downgrade (queda de qualidade nos gráficos)? 93% disserem que sim. Por fim: a empresa deveria lançar menos jogos e com maior qualidade? 94% concordaram que esse é o caminho.

Imagem ilustrativa da imagem Games - Medo e delírio em Washington DC
| Foto: Folha Arte
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