Quando a Konami anunciou que faria mais um game da série ''Castlevania'', desta vez para os consoles da nova geração, muita gente ficou com a pulga atrás da orelha porque as últimas experiências, no PlayStation 2, não foram das melhores. A presença de Hideo Kojima (criador de ''Metal Gear''), porém, animou a maioria dos fãs. ''Castlevania: Lords of Shadows'' é exuberante e tem muitos pontos positivos, no entanto, continua longe do estilo que consagrou a franquia ainda nos anos 80.
Bem, o que mais se conecta com o clássico ''Castlevania'' é o sobrenome Belmont: a história traz Gabriel Belmont, um órfão que assumiu a nomenclatura dos lendários caçadores de vampiros ao fazer parte de uma irmandade de cavaleiros, chamada de Brotherhood of Light. São os responsáveis por evitar que chupadores de sangue, demônios, licantropos, entre outros monstros, destruam o planeta. E, claro, como sempre, há um amor perdido no meio da pancadaria, algo que dá ao protagonista um coração, uma alma e o carisma.
Depois disso, nada mais há de ''Castlevania''. Pra começar, o estilo ''plataforma'' foi abandonado há tempos, desde que as desenvolvedoras passaram a se preocupar mais em construir mundos virtuais em 3D. A ação está mais para ''God of War'' (e em alguns momentos até evoca ''Shadow of Colossus'') do para o tradicional sistema de exploração de um castelo, cheio de salas que você precisa ir e voltar em uma longa aventura.
Assim, o foco é mesmo na pancadaria. E para isso o jogo é bom. Gabriel pode usar diversos combos, que vão progredindo à maneira que cada um ''compra'' novas habilidades e ganha upgrades nas armas. Um das coisas legais é a vantagem estratégica adquirida de acordo com que as magias negra e branca são utilizadas durante as lutas. Apesar de repetitivos, os combates são desafiadores, principalmente diante dos chefes de fase, e é gratificante vencer um oponente poderoso.
Os gráficos estão entre os melhores já produzidos para esta geração. Todas as texturas estão extremamente bem detalhadas, desde um galho de árvore até as marolas de um lago no pântano, a pele dos inimigos. Enfim, tudo foi bem acabado e Kojima valoriza bastante as imagens, porque sua visão cinematográfica dos games necessita de um bom trabalho nesse sentido. O que incomoda um pouco é a forma como a câmera fixa desvaloriza a ação em vários momentos e até mesmo confunde em alguns mapas.
A pior mudança está no fato de que este ''Lords of Shadows'' é muito linear se comparado aos outros. O jogo é separado por níveis distintos (que devem ser revisitados para conquistar bônus ou itens que não podiam ser alcançados antes) e a exploração foi deixada em segundo plano. Isso não deve ser encarado exatamente como uma falha.
O game está entre os melhores do ano e usa vários elementos de sucesso de outras produções. E se esse é um ''reboot'' da franquia, então é melhor aproveitar a experiência e esquecer que um dia a série foi baseada em plataforma e exploração. Ou esperar que saia algo ''mais simples e Castlevania'' num futuro próximo.
Serviço - ''Castlevania: Lords of Shadow'' está disponível para PlayStation 3 e XBox 360 a partir de R$ 162.

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