O Galpão de Experimentação de Nutrição de Aves e o Laboratório de Análise de Carcaças, inaugurados ontem na Universidade Estadual de Londrina (UEL), pretendem fomentar a pesquisa na área de nutrição animal avícola. O espaço, criado a partir de uma parceria com o Grupo Big Frango e a Tectron Nutrição Animal, vai possibilitar a realização de experimentos em frangos de corte. A estrutura será usada para ensino, pesquisa e extensão pela UEL e, em contrapartida, as empresas terão uma unidade de pesquisa para avaliar o desempenho de novas tecnologias e formulações, trazendo ganhos para ambas as partes.
A estrutura possui 300 metros quadrados, incluindo o galpão e o laboratório, e recebeu investimentos de R$ 130 mil da iniciativa privada. O galpão é dividido em 64 boxes, com capacidade para comportar até 25 aves cada. Com infraestrutura que garante o bem-estar animal, como cobertura, aquecimento elétrico e monitoramento de temperatura. O coordenador do projeto e professor do Departamento de Zootecnia da UEL, Alexandre Oba, explica que metade dos boxes será usado para pesquisas da própria universidade, enquanto os outros irão atender a demanda das indústrias.
As empresas Big Frango e Tectron fornecerão as aves, a alimentação e os insumos, enquanto a UEL fará os experimentos e repassará os resultados às empresas. As empresas também custearam o prédio onde funcionará o Laboratório de Análise de Carcaças. Já a câmara fria para conservação das carcaças e os demais equipamentos foram obtidos com recursos de R$ 70 mil do Pronex, da Fundação Araucária. O objetivo é realizar as análises das aves abatidas no local.
As pesquisas devem ser iniciadas em aproximadamente 15 dias. Até o final deste ano estão programadas três pesquisas: fidelização de consumo de ração, comparação de linhagem de aves e testes de emulsificantes de gordura, produto que facilita a digestão das aves. ''Vamos avaliar se o fidelizador de consumo pode ampliar o consumo e o desempenho das aves. Na segunda pesquisa, faremos a comparação de desempenho entre diferentes linhagens comerciais para que as empresas decidam qual matriz adquirir. O terceiro trabalho vai verificar se o emussificante facilita a absorção de gordura pelo organismo da ave'', esclarece Oba.
Para Daniel Pigato, presidente da Tectron, a parceria permite que a iniciativa privada desenvolva pesquisas para atender suas necessidades, contando com a expertise dos professores da UEL. ''A iniciativa privada tem a ideia do que o mercado precisa e traz essa demanda para a UEL, que realiza a pesquisa. Na sequência, avaliamos se a aplicação de determinada tecnologia é viável'', explica. Já o diretor da Big Frango, Valter Bampi, afirma que o setor avícola possui grande demanda por pesquisas e que a parceria deve impulsionar os trabalhos e contribuir para aprimorar o desempenho da atividade. ''Só vamos crescer ainda mais a partir da pesquisa'', ressalta.
A reitora da UEL, Nádina Moreno, avalia que o aporte de recursos na universidade não é um gasto, e sim um investimento que retorna para a sociedade em forma de produtos e tecnologias. Segundo ela, uma pesquisa realizada na UEL e na Universidade Estadual de Maringá (UEM) em 2004 indicou que a cada R$ 1 investido nas entidades, R$ 1,35 retornam para a sociedade. ''A parceria gera pesquisa não apenas para a indústria, mas também para teses de mestrado, doutorado e graduação. Os alunos sairão do curso com visão de mercado'', afirma.

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