Galli quer Rural participando das decisões sobre agricultura
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de maio de 2000
Da Redação 
Francisco Galli, que deve ser reeleito hoje presidente da SRP: gestões políticas na defesa da agricultura
O empresário rural Francisco Galli deve ser reeleito hoje presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), para dar continuidade ao projeto iniciado dois anos atrás visando recuperar a força política da entidade que, em outras épocas, foi determinante na defesa dos interesses da agropecuária do Estado do Paraná. A eleição, chapa única, começa às 10 horas no auditório Antônio Fernandes Sobrinho.
Em entrevista, dias atrás, a este jornal, Galli reafirmou o objetivo da atual diretoria: A diretoria não quer marcar as atividades da Rural apenas pela bem-sucedida Exposição, a mais importante do País e a maior festa da cidade. A SRP quer participar das grandes decisões nacionais sobre agricultura, ocupando um espaço que foi deixando ao longo dos últimos anos. A recuperação deste espaço já começou a acontecer, disse.
Quanto à Exposição, um dos papéis que lhe cabe, além dos negócios, é mostrar à comunidade, aos consumidores e aos governos que o produtor está fazendo a parte dele, investindo na melhoria dos produtos, animal ou vegetal cujo destino final é a mesa do consumidor.
Galli citou vários exemplos de temas em que a entidade atuou ou vem atuando. Ela tem participado de discussões sobre problemas da reforma agrária, na polêmica legislação ambiental, prescrição do contrato de trabalho (que teve um desfecho favorável), tem atuado na fixação de preços e, mais recentemente, do esforço vitorioso contra a febre aftosa que culminou com o reconhecimento de que o Paraná é zona livre do vírus, com vacinação. A Rural participou de todas as reuniões e acha que há tanto por fazer neste campo, que a luta apenas começou. A relação de situações problemáticas em que a Rural atuou e conseguiu avanços para os produtores é ampla, disse.
Na questão das invasões de terras, a SRP tem tomado posições firmes. E tem conseguido espaço para discutir essas questões com o governo. Hoje existe um canal aberto para discussão com órgãos dos governos federal e estadual para tomada de decisões sempre lutando para que prevaleça a lei na defesa dos interesses da propriedade privada para que seus proprietários tenham o direito de continuar produzindo, que o que eles sempre fizeram, observa Galli.
Na questão da política agrícola, Galli explica que a SRP tem conseguido garantir a participação da entidade nas discussões sempre se antecipando às decisões. Queremos que todas as vezes que órgãos do governo discutem assuntos do interesse da agropecuária, que o produtor tenha um lugar à mesa e seja consultado, afinal está se tratando de assunto relacionado com o seu interesse.
Galli lamenta que ao longo dos anos, a agricultura perdeu muito por não participar das decisões. Esta situação começa a ser mudada e a agricultura está podendo se manifestar e ser ouvida. O papel da Rural é o de colaborar e evitar falhas, mas sempre de maneira firme e bem embasada, segundo Galli. Sempre que possível se antecipando aos fatos. Não dá mais para ficar distante das decisões e, depois, correr atrás do prejuízo.
Conquistada essa reinserção no âmbito das decisões, Galli relaciona outros desafios. A diretoria da Rural está preocupada agora com a renda do agricultor e com o retorno dos seus investimentos na propriedade para produzir mais e melhor. Ele observa, por exmeplo, que o esforço para manter o rebanho bovino livre de febre aftosa tem que ser compensado com ampliação do mercado e melhor preço. A diretoria tem gestionado neste sentido.
Com relação ao retorno dos investimentos em qualidade, tanto Galli como o diretor-secretário, Arnaldo Coelho do Amaral Filho, citam vários exemplos. O do café parece mais latente. Há um esforço para melhorar a qualidade do café cujos resultados são visíveis. No entanto, as indústrias não estão pagando mais pelo produto que apresenta melhor tipo, melhor bebida, e que obtém melhores preços para os produtos derivados. Se o agricultor investiu para uma melhor matéria-prima, é necessário pelo menos que o mercado lhe dê o retorno.
Se isto não acontecer naturalmente pelas leis do mercado, então que haja mecanismos legais competentes para fazer a aferição dessa qualidade e fixar parâmetros com base nos quais se fará a justa remuneração, nada mais que a partilha do diferencial objetivo pela qualidade.
A transferência de renda do setor primário para outros setores é uma sangria que precisa ser estancada. Entre os exemplos de como isto ocorre, Galli e Arnaldo Coelho citam o reajuste dos preços dos fatores de produção imediatamente após liberação de custeio ou redução de juros para a agricultura. Se o governo anuncia algum benefício, hoje, quando chega amanhã, os preços dos insumos agrícolas estarão todos reajustados. Logo aquele benefício anunciado para a agricultura fica comprometido ora com aumento dos preços das máquinas, ora com aumento dos inusmos (sementes, defensivos, fertilizantes). Isso tem que ser discutido para se fixar regras mais claras. Não se descarta a criação de órgãos mediadores ou regulamentadores como, por exemplo, a criação de camaras setorais.


