São Paulo - O consórcio liderado pela Odebrecht Transport venceu o leilão de concessão do Aeroporto de Galeão, no Rio de Janeiro, com um lance de R$ 19,018 bilhões, o que representa um ágio de 293,9% em relação ao lance mínimo, de R$ 4,8 bilhões estabelecido pelo governo. O Aeroporto de Confins, em Minas Gerais, por sua vez, ficou com o grupo liderado pela CCR, com uma proposta de R$ 1,82 bilhão, um ágio de 66% em relação ao mínimo previsto. O valor total do certame foi de R$ 20,8 bilhões, o que representa um ágio de 251,7%.
Tanto o preço, quanto o ágio não superam o resultado do primeiro leilão de aeroportos. Em fevereiro do ano passado, Guarulhos e Viracopos, em São Paulo, e o aeroporto de Brasília arremataram, no total, R$ 24,5 bilhões, com uma ágio de 347%.
Mas causou surpresa o valor pago pelo Galeão. Os R$ 19 bilhões ficaram acima do valor desembolsado pelo aeroporto de Guarulhos, que foi de R$ 16,2 bilhões, e superou até mesmo o preço do campo de petróleo de Libra, no leilão do pré-sal, que fechou em R$ 15 bilhões. "Se a gente somar o preço pago pela outorga, de R$ 19 bilhões, ao preço previsto para a obra (de R$ 5,7 bilhões) são R$ 25 bilhões: praticamente R$ 1 bilhão para cada um dos 25 anos da concessão", disse um executivo do setor que ficou espantado com o resultado. "Sabe-se lá como vão recuperar o investimento desse jeito."
Para o governo, os ágios e o alto nível das empresas participantes foi motivo para comemorações. Odebrecht Transport tem ao seu lado a operadora Changi, que administra, entre outros terminais, o aeroporto de Cingapura, nos três últimos anos eleito o melhor do mundo. Odebrecht tem 60% do consórcio, batizado de Aeroportos do Futuro, e Changi, 40%. A CCR tem 75% do consórcio AeroBrasil, que venceu a concessão por Confins. Estão ao seu lado a operadora suíça Flughafen Zurich, que administra o aeroporto de Zurique, com 24% de participação, e a Munich Airport com 1%.
A presidente Dilma Rousseff, em uma rápida entrevista na sua chegada a Fortaleza, onde fora anunciar a liberação de recursos para ampliação do metrô da capital cearense, afirmou que o resultado foi "muito bom" e "acima das expectativas". "Evidencia o interesse dessas empresas no Brasil", disse a presidente. "Quem ganhou foram grandes empresas de aeroportos", afirmou a presidente.
O ministro da Secretaria da Aviação Civil (SAC) Wellington Moreira Franco, acompanhou pessoalmente o leilão e considerou o resultado um voto de confiança da iniciativa privada no futuro do Brasil. Para ele, essas empresas vão contribuir na "profunda mudança na infraestrutura" e "levá-la ao século XXI".

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