Gaeco prende 15 pessoas por sonegação fiscal
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quinta-feira, 07 de maio de 2015
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP-PR), cumpriu 15 mandados de prisão preventiva ontem no Paraná contra envolvidos em sonegações ao Fisco Estadual. A quadrilha que fraudava os cofres estaduais não recolhendo Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tinha ramificações nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro, locais nos quais foi realizado o sequestro de bens. A ação é resultado da segunda fase da Operação Papel, deflagrada em 2011.
De acordo com informações da Promotoria de Justiça de Proteção à Ordem Tributária, que participou da operação, a quadrilha sonegou R$ 115 milhões em ICMS (valor que inclui multa e juros). O coordenador do Gaeco no Paraná e procurador de Justiça, Leonir Batisti, disse que a estimativa é de que o valor seja ainda maior, envolvendo também a sonegação de impostos federais.
Os mandados envolvem 25 denunciados, entre os quais cinco contadores, um advogado, um auditor da Receita Estadual do Paraná que trabalha em Irati, e empresários do ramo de indústria, edição e impressão gráficas, e comércio e importação de papeis.
De acordo com Batisti, o auditor fiscal da Receita Estadual dava informações de como fazer para fraudar o ICMS ou não ser pego pelo fisco. Só o auditor teria recebido R$ 500 mil em propina, para facilitar o funcionamento do esquema.
O procurador Batisti explicou que o esquema da quadrilha funcionava com a constituição de diversas empresas na área gráfica em nome de laranjas. De modo geral, a quadrilha utilizava o nome de funcionários das próprias empresas sob ameaça de perda de emprego ou promessa de pequenas vantagens para constituir, de forma fraudulenta, as pessoas jurídicas.
Essas empresas iam acumulando dívidas fiscais e, por estarem em nome de laranjas, não havia garantia de pagamento com o fisco. Em seguida, as empresas eram fechadas de forma ilegal, com o auxílio, muitas vezes, do auditor da Receita. Segundo Batisti, as empresas eram montadas em endereços que não existiam e em endereços de outras empresas.
Nas denúncias oferecidas à Justiça, o MP-PR ressaltou que, desde 1991, os acusados vinham atuando em Curitiba e Região Metropolitana (com ramificações também em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro), época em que abriram a primeira empresa. Desde essa época, foram constituídas cerca de 80 empresas, com a participação de mais de 200 pessoas (a maioria delas, utilizadas no esquema criminoso como laranjas).
Os envolvidos foram denunciados à Justiça por crimes contra a ordem tributária, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, lavagem de ativos e formação de quadrilha.
Batisti disse que esta operação não tem qualquer relação com a recente Operação Publicano, na qual 15 auditores fiscais da Receita Estadual em Londrina foram denunciados.
Em 2011, o MP-PR desarticulou uma quadrilha que envolvia pelo menos 79 empresas do ramo gráfico e 212 pessoas. A ação ocorreu nos estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Segundo o MP-PR, teriam sido sonegados R$ 113 milhões em ICMS. Outros R$ 40 milhões em tributos federais foram desviados. A Promotoria de Justiça de Combate aos Crimes Contra a Ordem Tributária de Curitiba investigava há mais de dois anos o caso.


