A campanha de vacinação contra a febre aftosa no Paraná foi encerrada no último domingo e parte do rebanho continua sem imunização e, portanto, vulnerável à doença. E mesmo com essa fragilidade de parte dos bovinos, a questão está longe de ser encerrada. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) anunciou que fará nova coleta de material em 211 animais, juntamente com técnicos da Secretaria Estadual (Seab), só que esse trabalho ainda não começou a ser feito.
Segundo a assessoria de imprensa da Seab os técnicos estaduais ontem não começaram a coleta e, provavelmente, também não farão isso hoje. Parte dos fiscais sanitários federais ainda está em greve, o que pode contribuir para que essa situação ainda se arraste por um bom tempo ainda. Depois de coletado o material e enviado para o Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), os resultados ainda têm um prazo para ficarem prontos de 15 a 21 dias, período biologicamente exigido para a definição dos exames.
Não receberam dose da vacina todos os animais que estão nas quatro fazendas consideradas de risco sanitário - nos municípios de Amaporã, Grandes Rios, Loanda e Maringá - e em todas as propriedades localizadas em um raio de 10 quilômetros. Estimativas indicam que esses bovinos correspondem a cerca de 20% do total do rebanho estadual. ''Esses animais estão vulneráveis porque pode passar vírus de febre aftosa para o Paraná. No Mato Grosso do Sul já estão confirmados 22 focos'', salienta o doutor em virologia Amauri Alfieri, veterinário e professor da Universidade Estadual de Londrina.
Segundo ele, é recomendável que sejam preconizados animais sentinela, mas isso seria necessário apenas nas quatro fazendas interditadas. ''O vírus da aftosa é altamente contaminante, se houvesse a doença no Estado certamente outros animais já estariam doentes. O vírus já teria se espalhado, não teria ficado apenas naqueles 22 bovinos que foram declarados suspeitos'', salienta. Na avaliação do veterinário, o impasse entre o Mapa e a Seab é uma questão política, que não está sendo discutida tecnicamente.
Mercado externo- Alfieri afirma que, em certo ponto, o Mapa está agindo corretamente ao realizar inúmeros exames no animais paranaenses. ''Tudo o que foi falado e noticiado no País o mercado internacional também soube e, agora, não se pode deixar nenhuma margem para desconfianças'', afirma. No entanto, o professor acredita que falta infra-estrutura ao Lanagro para realizar esses exames mais rapidamente.
''A OIE (Organização Internacional de Sanidade Animal) aceita o exame RT-PCR, que é uma técnica molecular, só que o Lanagro não está preparado para fazê-lo. Esse exame é muito mais rápido, que fica pronto em 24 horas'', observa o virologista, acrescentando que o Brasil tem o maior rebanho comercial do mundo, o agronegócio brasileiro é responsável por mais de 30% do Produto Interno Bruto, além de gerar 37% dos empregos brasileiros. ''Com todas essas condições, o Brasil não ter um laboratório equipado é um absurdo'', completa.

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