O chefe do Núcleo Regional da Secretaria da Agricultura e Abastecimento em Londrina, Gil Abelin, afirmou ontem que Guias de Trânsito Animal (GTAs) comprovam a vacinação nos 250 animais oriundos do Mato Grosso do Sul que foram comercializados durante o leilão Dez Marcas, realizado durante a Eurozebu, no início do mês na cidade. Todos ficaram abrigados na fazenda Flor do Café, do pecuarista londrinense Alexandre Turquino. O pecuarista foi o responsável pelo leilão. Os animais suspeitos de estarem com a doença foram comercializados na Eurozebu. Turquino não foi encontrado ontem pela reportagem.
Localizada em Bela Vista do Paraíso (a 40 quilômetros ao Norte de Londrina), a Fazenda Flor de Café possui 256 cabeças de gado e está interditada desde sexta-feira, assim como os demais municípios onde há suspeita da doença. Abelin informa que as GTAs são emitidas pela Secretaria de Agricultura com base nas notas de compra de vacinas realizadas pelos produtores rurais. ''Independente se o gado será transportado ou não, fornecemos as guias com base nas notas apresentadas pelos produtos. A vacina é relativamente barata (R$ 1,10) e não imagino que o produtor vá comprar e não vacinar o gado'', afirma Abelin.
Técnicos do Ministério da Agricultura trabalham, segundo Abelin, com algumas hipóteses para justificar o foco de aftosa no Brasil. ''Ou os animais não foram vacinados e houve dolo nas notas, ou ainda são produtos do Paraguai, cuja procedência não é confiável'', salienta ele, acrescentando que pode ter havido problemas também com a manipulação da vacina, que perde a imunidade se não ficar armazenada numa temperatura ideal. ''Quem pode afirmar que não faltou energia no estabelecimento do veterinário''?, questiona Abelin.
O Paraná estava há 10 anos sem registrar caso de febre aftosa. A vacinação ocorre duas vezes por ano. Este ano a primeira etapa foi em maio e, a segunda, será agora entre os dias 1 e 20 de novembro. O índice atingido não chega a 100%, mas estão dentro das expectativas dos órgãos de sanidade animal no País. O temor agora, segundo Abelin, é saber que podem haver animais que nasceram depois de maio e não foram vacinados. Esses e os animais novos, que tomaram poucas vacinas, são mais suscetíveis à doença por ter um nível de imunidade baixo.
No Norte do Paraná, na abrangência da Regional da Seab, que agrega 19 municípios, o rebanho bovino totaliza 320 mil cabeças. O Estado gasta, segundo Abelin, entre a R$ 4 milhões a R$ 6 milhões na defesa e prevenção da febre aftosa. ''O Paraná tem feito o dever de casa'', afirma.

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