Gado de elite pode ter introduzido aftosa no PR
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domingo, 23 de outubro de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A febre aftosa pode ter chegado ao Paraná através do gado de elite. Esse quadro será definido a partir de hoje ou amanhã quando forem divulgados os resultados dos exames de sangue coletados 19 animais que estão apresentando os sintomas da febre aftosa. Segundo a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, os animais com suspeita da doença foram vendidos em leilão na Eurozebu, exposição de gado de alta linhagem, realizada em Londrina no início do mês.
No total, participaram da Eurozebu 949 animais, dos quais 178 estiveram na exposição de gado limousin. Desses, 37 animais são dos municípios paulistas de Itapetininga, Restinga e São Carlos. O gado limousin retornou para propriedades de 13 municípios, sendo 10 no Paraná e três em São Paulo. As 10 propriedades paranaenses estão sendo monitoradas pela equipe técnica da Defesa Sanitária da Seab.
O levantamento consta do relatório apresentado pelo secretário da Agricultura e do Abastecimento, Orlando Pessuti, ao secretário nacional de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Gabriel Alves Maciel, que esteve anteontem em Curitiba. Maciel veio verificar de perto as providências que estão sendo tomadas dentro do Estado para cercar a transmissão do vírus da febre aftosa para outros municípios paranaenses e mesmo para outros Estados.
O levantamento feito pelo Grupo Especial de Atenção às Suspeitas de Enfermidades Emergenciais (Gease), que apóia a Defesa Sanitária (Defis) apontou que nos últimos 60 dias, 1.994 bovinos vieram do Mato Grosso do Sul para o Paraná, sendo que 99 desses animais eram provenientes dos cinco municípios daquele Estado que estão hoje interditados devido à ocorrência da doença.
Também entraram 5.320 suínos - que foram abatidos em indústrias no Paraná - e uma ovelha. Dos 99 animais oriundos da área de risco, 43 vieram diretamente de Eldorado (MS) para a Eurozebu. O levantamento apontou também que 13 propriedades do Paraná compraram animais do leilão realizado na exposição de Londrina.
Segundo Pessuti, o gado limousin não esteve em contato direto com o plantel que participou do leilão do dia 4 de outubro, de onde saíram os animais que apresentam os sintomas da doença. Mas o fato de estarem no mesmo recinto dois dias após o leilão foi o suficiente para ele determinar a interdição também das propriedades onde se encontram esses animais.


