Curitiba A partir de 15 de fevereiro será feita uma campanha de reforço de vacinação contra a febre aftosa em 205.700 animais. Eles estão distribuídos em 8.745 propriedades de 11 municípios paranaenses situados na faixa de até 25 quilômetros da fronteira do Estado com o Paraguai. Simultanamente, naquele país também será vacinado todo o rebanho existente na mesma extensão da faixa fronteiriça com o Paraná. A campanha de vacinação conjunta é uma das decisões tomadas ontem por representantes dos setores público e privado do Paraná e Paraguai, na 3 Reunião Bilateral, realizada em Curitiba, para definir ações que visam a erradicação do vírus da doença na América Latina.
Segundo o vive-governador e secretário da Agricultura e Abastecimento (Seab), Orlando Pesutti, o governo do Paraná já está em contato com autoridades da Argentina com objetivo de também adotar medidas conjuntas de prevenção. ''O Mato Grosso do Sul tem uma situação mais problemática porque tem uma fronteira seca muito grande com outros países. Nós aqui temos o lago de Itaipu que é uma barreira importante. Mas seria interessante uma ação mais forte nas regiões fronteiriças'', defendeu. Outros países estratégicos citados por ele foram Uruguai e Bolívia.
Pacto desse tipo já existe entre o Paraguai e Argentina. De acordo com o presidente do Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal (Senacsa) do Paraguai, Hugo Corrales Irrazábal, esse processo é importante como forma de eliminar qualquer desconfiança entre os países. Para isso, uma das ações previstas é a fiscalização conjunta. Com isso, técnicos do Paraná, por exemplo, poderão acompanhar a vacinação do rebanho paraguaio, ou vice-versa, sem resistência do outro lado.
A reunião também definiu outras ações de gerenciamento das propriedades situadas na faixa de 25 quilômetros em ambos os lados da fronteira. Junto com a vacinação, será feita a identificação de todo gado. Conforme já aprovado na 2Reunião Bilateral, realizada em novembro no Paraguai, a metodologia adotada será o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov), que já é usado no Paraná. O método consiste na aplicação de uma espécie de brinco, com um número impresso, nos animais. O objetivo é controlar a movimentação clandestina do gado.
Segundo Pesutti, a Seab se responsabilizará pela compra das doses de vacinas e dos brincos de identificação, mas a intenção é envolver a comunidade da área na execução dos trabalhos. Para isso, técnicos da Secretaria capacitarão pessoal ligado aos sindicatos de trabalhadores rurais, cooperativas e outras entidades.

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