Curitiba - O Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa) decidiu ontem que deve ser realizado o sacrifício sanitário dos bovinos da Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio). A data, no entanto, não foi definida. No mês passado, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) havia decretado foco de febre aftosa na propriedade. Na reunião de ontem, 17 conselheiros do Conesa votaram a favor do sacrifício sanitário, um a favor do abate em frigorífico e cinco se abstiveram.
No sacrifício sanitário, os animais são mortos e enterrados na própria fazenda. Após o procedimento, o Paraná poderá recuperar o status de área livre de aftosa com vacinação em seis meses. Os conselheiros que votaram a favor do sacrifício argumentaram que, apesar de não ter ocorrido isolamento do vírus da doença nos exames em amostras dos animais da Fazenda Cachoeira, é necessário minimizar os prejuízos dos produtores, que sofrem com os embargos à carne do Paraná.
O gerente da fazenda, André Carioba Filho, disse ontem que não irá autorizar o sacrifício dos bovinos da propriedade. ''Não admito de forma alguma que sejam sacrificados animais sadios'', afirmou. O advogado de Carioba, Ricardo Rocha Pereira, informou que antes da reunião havia entrado com ação cautelar na Justiça Federal, em Londrina, para impedir o sacrifício dos animais da Fazenda Cachoeira.
''Como a gente chegou nessa situação? Os conselheiros falam que no Paraná não tem aftosa, mas mesmo assim recomendam o sacrifício na Fazenda Cachoeira?'', indagou Pereira. ''Parece que estamos na Idade Média. O produtor é tratado como uma categoria de segunda linha''.
Desde a confirmação do foco, a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) se negou a admitir a ocorrência de aftosa no Estado, sob a alegação de que não houve isolamento de vírus da doença em nenhum exame. O Mapa, por sua vez, argumentou que o Código de Animais Terrestres da Organização Internacional de Saúde Animal (OIE) determina que a soma de sorologia positiva com vinculação epidemiológica é suficiente para confirmar foco de aftosa, e estas duas condições foram verificadas em parte do gado da Fazenda Cachoeira.
A Seab agora deve notificar Carioba sobre a decisão do Conesa. O presidente do Sindicato da Indústria da Carne e Produtos Derivados do Estado do Paraná (Sindicarne), Péricles Salazar, disse que o Fundo de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Paraná (Fundepec) deverá pagar a indenização pelo sacrifício dos animais. ''Mas o Fundepec vai pedir ressarcimento à União, como foi feito no Mato Grosso do Sul'', afirmou Salazar.
O pagamento da indenização será definido numa reunião que deve ser realizada apenas na semana que vem, segundo o presidente do Sindicarne. ''Se vier a ocorrer (o sacrifício sanitário), que nos paguem antes'', afirmou Carioba. O gerente não soube informar o prejuízo que sofreu em decorrência da confirmação do foco.
Ele citou que os danos financeiros não são relativos apenas ao gado, mas também à plantação da fazenda, pois os ciclos de produção foram afetados: animais não puderam ser transferidos porque a fazenda está interditada e naturalmente tiveram que ser alimentados. ''A indenização (pelo sacrifício) teria que ser multiplicada por três'', estimou Carioba.

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