Ao mesmo tempo em que a Secretaria da Agricultura (Seab) e outras instituições deflagram campanha contra aftosa para evitar uma situação como a do Rio Grande do Sul, surge a denúncia de que mais de 2 mil animais estão sem vacinação, na região centro-norte do Estado. Trata-se da Fazenda Corumbataí, mais conhecida por ‘‘7 mil’’, onde o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, estaria dificultando o trabalho da Defesa Sanitária Animal (DSA), ligada ao núcleo da Seab em Ivaiporã (150 km ao sul de Apucarana).
A denúncia está sendo formulada pelo gerente da fazenda, Gilberto Pereira Martins. Segundo ele, o problema vem se repetindo nas últimas campanhas de vacinação: uma média de 50% do rebanho da fazenda, que estima em 3.500 cabeças, está ficando sem imunização.
Martins lembra que desde abril de 1997, quando a fazenda, de 5.750 alqueires, foi invadida pelo MST, o rebanho não tem mais um manejo adequado. ‘‘São mais de 5 mil alqueires de pastagens e praticamente não existe mais divisões, pois as cercas foram consumidas pelas queimadas’’, denuncia, acrescentando que muitos animais vivem ‘‘alongados’’, sem qualquer tipo de manejo.
Ouvido ontem pela Folha , o chefe do núcleo regional da Seab, em Ivaiporã, Sérgio Empinotti, revelou que os técnicos e veterinários da DSA tiveram acesso à propriedade. Segundo ele, a vacinação contra aftosa foi dada como concluída na 7 mil, há dez dias, com a imunização de cerca de 1.700 animais.
Empinotti admitiu que a vasta extensão de pastagens, somada ao relevo da área e cercas derrubadas, podem mesmo dificultar o arrebanhamento dos animais. ‘‘Continuamos dialogando com a coordenação do acampamento, tentando evitar que algum animal fique sem vacinar’’, assinalou Empinotti.
Ele reconheceu que podem existir animais sem imunização, mas lembrou que o MST retirou cerca de 800 animais da fazenda e abandonou no Parque de Exposições, em Ivaiporã. Disse ainda que há informações de abate constante de animais para consumo no acampamento, onde existem mais de trezentas famílias.
Seab busca saída A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento está procurando alternativas para solucionar de vez o impasse criado com as dificuldades de vacinar o rebanho da Fazenda ‘‘7 Mil’’, em todas as campanhas de vacinação contra febre aftosa. Segundo o diretor do Departamento de Fiscalização, Luiz Carlos Hatschbach, o maior problema é a imprecisão do número de animais. O gerente da fazenda afirma que tem 3.500. E o Movimento Sem Terra, articulador da invasão da área desde 1997, sustenta que há 1.700 animais, sendo que o restante foi retirado da área pelos proprietários.
Hatschbach explica que a grande dificuldade, em período de vacinação, é reunir os animais. Os sem-terra soltaram os animais que ficaram ariscos dificultando para os técnicos da Vigilância Sanitária.
Para o coordenador do MST, Roberto Baggio, os sem-terra não estão obstruindo a vacinação. ‘‘Inclusive a vacinação realizada esse mês foi viabilizada graças a iniciativa das famílias que compraram a vacina’’, informou. Baggio frisou que as famílias não são contrárias à vacinação dos animais, mas elas se sentem intimidadas com o aparato gerado pela campanha, que provoca insegurança e o medo entre as famílias.

mockup