Campo Grande - Assentados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no município de Japorã, a 35 quilômetros de Eldorado, onde foi localizado na segunda-feira um foco de febre aftosa, são o centro das investigações sobre a origem da contaminação. No local foi constatada a presença de vacas leiteiras visivelmente afetada pelo vírus, mas qualquer medida depende das análises de sangue colhidas dos bovinos sob suspeita, o que deverá ocorrer na próxima semana, conforme informações do secretário estadual de Produção, Dagoberto Nogueira Filho.
Para os técnicos da Agência Estadual de Defesa Sanitária, Vegetal e Animal, as suspeitas não estão apenas sobre o assentamento do MST em Japorã. Está ocorrendo uma rigorosa inspeção em todos os assentamentos do Programa Nacional de Reforma Agrária dos cinco municípios interditados pela vigilância sanitária: Eldorado, Iguatemi, Itaquiraí, Japorã e Mundo Novo.
Para facilitar os trabalhos dos inspetores, o governo do Estado decretou ''emergência sanitária'' em toda a área ,que está sendo inspecionada por técnicos e policiais do Serviço de Inteligência do Departamento de Operações de Fronteira. Enquanto os técnicos sanitários examinam a qualidade dos rebanhos, os policiais procuram pistas de crimes contra a economia, como contrabando, em razão das características da região e a facilidade no trânsito de animais entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai.
São mais de 700 quilômetros de fronteira seca, aberta e sem vigilância. Essa condição facilita a comercialização entre os assentados e os proprietários paraguaios do chamado ''gado de corda'', animais, principalmente vacas leiteiras, criados soltos nas ruas ou em fundo de quintal sem as devidas condições sanitárias. Segundo os primeiros resultados do trabalho policial, pelo menos 500 desses animais são mensalmente comprados e revendidos pelos assentados.
Onze assentamentos nos cinco municípios sob suspeita estão na mira da força-tarefa antiaftosa. O pessoal envolvido nessa missão apurou que no comércio legalizado uma vaca leiteira de boa qualidade custa entre R$ 800 e R$ 1.000, enquanto no chamado ''chucho'', que é o comércio ilegal, uma ''vaca de corda'' custa no máximo R$ 300.
Leite - Além dos prejuízos causados pelos embargos à carne bovina e derivados do leite, pequenos produtores que dependem da venda de leite estão desesperados. Ontem, por exemplo, a prefeita de Eldorado, Mara Caseiro (PDT), explicou que cerca de 200 famílias assentadas no município sobrevivem da pecuária leiteira e estão impedidas de vender o produto por tempo indeterminado. ''Começaremos o levantamento hoje (ontem) e queremos terminar amanhã (hoje) para levar a relação ao secretário de Produção e ao delegado Federal de Agricultura'', afirmou.
Os frigoríficos do Estado, que estavam operando com escalas apertadas, de três a quatro dias, por falta de boi, suspenderam as compras em razão do foco de aftosa.

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