O governo argentino reagiu ontem às intensas pressões de grupos estrangeiros e países do G-7 para que as medidas do pacote de recuperação econômica não se traduzam em perdas bilionárias para os investidores. Para o novo governo, as críticas são injustificáveis, mas crescem as críticas vindas de fora.
‘‘Há fortes pressões, de todas as partes, especialmente das companhias de serviços públicos’’, disse um membro do governo. ‘‘Mas não vamos retroceder.’’ Ontem foi a vez de o secretário do Tesouro dos EUA, Paul O’Neill, pedir que o país ponha em marcha o quanto antes um plano de reestruturação econômica ‘‘sustentável’’. Ele disse que uma eventual ajuda financeira está condicionada à aprovação das medidas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).
‘‘Esperamos que as medidas façam parte de uma base de confiança, para que o FMI possa ajudar’’, disse o secretário, em suas primeiras declarações desde que o país decretou a desvalorização do peso. ‘‘Estamos ansiosos para que o novo governo elabore um plano sustentável que traga a estabilidade e o crescimento de volta.’’
A resposta mais incisiva às pressões dos EUA e da Europa partiu do ministro argentino da Produção, José de Mendiguren. Segundo ele, a Espanha faz pressão ‘‘por pequenos interesses setoriais’’. Em entrevista a uma rádio local, Mendiguren afirmou que ‘‘chegou ao fim o pensamento financeiro que imperou na última década’’. ‘‘O governo conversou com os espanhóis, mas as decisões do presidente Eduardo Duhalde’’ não foram influenciadas por essas pressões’’, disse.

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