G8 rechaça suspensão de dívida dos pobres
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quarta-feira, 18 de julho de 2001
France PresseDe Roma 
Além da redução da dívida foi o significativo lema escolhido pela Itália para examinar o difícil assunto da dívida dos países pobres na cúpula do G8 (os sete países mais industrializados e a Rússia), que se realizará a partir de amanhã no porto italiano de Gênova (Norte). Cinco anos depois da cúpula do G7 em Lyon (França), quando foram aprovados os fundamentos da atual iniciativa de redução da dívida dos países pobres muito endividados (PPME), em Gênova, não deverão ser anunciadas grandes novidades a respeito.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, prometeu que fará todo o possível para aumentar o número de países (23 atualmente) que podem ser beneficiados pelo programa de redução da dívida, que até agora (desde seu lançamento em 1996) significou o perdão de 53 bilhões de dólares. A título comparativo, a ajuda pública ao desenvolvimento foi de 50 bilhões de dólares em 1998.
Os dirigentes do G8 prometeram em Colônia cancelar até 90% da dívida de 41 países do Terceiro Mundo e, entretanto, a dívida desses países só fez aumentar, criticou na última segunda-feira em Gênova Eric Toussaint, do comitê para o cancelamento da dívida do Terceiro Mundo, com sede em Bruxelas.
Na questão da dívida, se misturam tanto os passivos contraídos com as instituições internacionais como com o setor privado, lembram em troca os especialistas.
Cancelar a dívida de 62 países (como desejam associações como Drop the Debt, Cancelem a Dívida) significaria fechar o banco, explicava graficamente o presidente do BM, James Wolfensohn no mês de maio passado. O total (que representaria essa iniciativa ampliada) seria de 29 bilhões de dólares, o que equivale ao capital do banco, lembrou Wolfensohn. Parem de fazer discursos e cancelem a dívida agora!, contesta com ênfase Toussaint, que espera como seus colegas reunir dezenas de milhares de manifestantes em Gênova.
O francês José Bové, um dos líderes do movimento antiglobalização, foi vítima de uma torta que o atingiu em cheio, ontem, em Gênova. A torta foi atirada por dois jovens vestidos de preto que se aproveitaram da surpresa general para fugir.
No BrasilA avenida Paulista será o campo para uma partida que já está virando um clássico em São Paulo: de um lado, a polícia, e de outro, os ativistas antiglobalização. O futebol contra o capital será realizado a partir das 12h de amanhã no centro da cidade. Usando uniforme, chuteiras, caneleiras e bolas, eles anunciam um protesto pacífico e bem-humorado contra a reunião do G-8 (grupo dos países ricos), que ocorre na Itália. Como nas partidas anteriores houve confronto com a polícia, os manifestantes pediram, na convocação pela internet, que o uniforme dos jogadores inclua máscaras contra gás. Os ativistas antiglobalização, que dizem ser da Liga de Futebol Anarquista, não são os únicos a entrar em campo. A CUT, o MST e outros movimentos sociais aproveitaram a reunião do G-8 para protestar contra a Alca (Acordo de Livre Comércio das Américas).


