Toru Yamanaka/France PresseRecordeO painel mostra a cotação do yen frente ao dólar, ontem, em Tóquio. A moeda americana atingiu 124 yens, a mais alta cotação em 4 anosBERLIM - Norte-americanos, europeus e japoneses discutirão hoje na reunião do G7 a oportunidade de lançar um sinal aos mercados financeiros para estabilizar o dólar, que nas últimas semanas voltou a recuperar um terreno considerável frente às moedas européias e ao iene.
Em dois meses, o dólar se desvalorizou em 10% em relação às moedas européias. Ontem, a moeda norte-americana atingiu seu nível mais alto em quatro anos frente ao iene (124 ienes por dólar). Em Paris, superou a barreira dos 5,59 francos e os 1,65 marcos na abertura.
Este aumento do dólar, estimulante para as exportações européias e japonesas, era esperada há dois anos pela maioria dos países do G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Grã Bretanha, Itália e Canadá).
Em abril de 1995, os ministros das Finanças das sete economias mais desenvolvidas do mundo apelaram para uma ‘‘mudança ordenada de tendência’’ das cotações das moedas, com a esperança de por fim à fragilidade endêmica do dólar, que favoreceu durante anos os exportadores norte-americanos.
‘‘O objetivo já foi alcançado’’, exclamou esta semana o diretor do Fundo Monetário Internacional, Michel Camdessus, que estará no final de semana em Berlim. O dólar foi desvalorizado em 50% em relação ao iene desde abril de 1995 e cerca de 20% respeito ao franco francês e ao marco alemão.
Ainda resta saber se todos os países do G7 estão satisfeitos com o nível atingido pelo dólar e qual será o acordo que atingiriam os titulares das Finanças e os governadores dos bancos centrais dos Sete em Berlim.
A posição do Japão é clara: ‘‘buscaremos apoios para um dólar estável sobre uma base pragmática’’, informou o ministro das Finanças japonês Hiroshi Mitsuzuka. ‘‘Um iene excesivamente frágil é tão indesejável quanto um iene excessivamente forte’’, continuou.
Tóquio, que padecia a supervalorização do iene há dois anos, se inquieta hoje por sua desvalorização. Esta queda poderia causar uma comoção em seu sistema financeiro e semear o pânico nas bolsas, já deprimidas.
O Ministério alemão das Finanças comemorou ontem a ‘‘normalização das taxas de câmbio’’, que terá ‘‘um efeito positivo sobre as perspectivas de crescimento deste ano’’. ‘‘Não há nenhum problema na relação dólar-marco atual’’, continuou o ministro Theo Waigel.
A França está, por sua vez, satisfeita com a recuperação do dólar que dá uma vantagem competitiva para suas exportações. Por sua vez, o secretário do Tesouro norte-americano Robert Rubin reiterou que um ‘‘dólar forte é o melhor para os Estados Unidos’’. Mas, por isso, as preocupações de Tóquio. ‘‘Os japoneses e nós mesmos temos um interesse comum em uma economia japonesa forte’’, disse.

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