Seul - A cúpula do G20 concluída ontem em Seul não afastou de maneira definitiva a ameaça de uma guerra cambial e adiou para o fim do próximo ano a conclusão de uma análise sobre os grandes desequilíbrios da economia global, que pode levar de maneira indireta à correção no valor de determinadas moedas, em especial o yuan chinês ''A guerra cambial não acabou, mas passou a ser discutida'', disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, depois do encerramento da cúpula
Os negociadores do G20 se debateram durante quatro dias para reduzir suas diferenças e alcançar um consenso mínimo anunciado pelos líderes ontem ''O acordo de Seul é melhor do que desacordo'', disse o presidente francês Nicholas Sarkozy, que assume a presidência do grupo em 2011
Para o Brasil, os principais avanços foram a legitimação do controle de capitais para reduzir o fluxo de recursos externos que levam à valorização do real, a ampliação da representação dos países emergentes no Fundo Monetário Internacional e o reconhecimento de que os países desenvolvidos terão de ser ''vigilantes'' em relação aos efeitos negativos de suas políticas monetárias sobre o restante do mundo
Os dias que antecederam o encontro, iniciado na quinta-feira, foram marcados por críticas mútuas e o ceticismo em relação ao papel do G20 como fórum de coordenação econômica mundial
A situação se agravou com a decisão dos Estados Unidos de injetar US$ 600 bilhões na economia nos próximos oito meses, o que vai desvalorizar o dólar e aumentar a quantidade de capital especulativo que vai para os países emergentes, provocando a apreciação de suas moedas
A ''guerra cambial'' é a resposta à desvalorização do dólar, por governos que intervêm para depreciar suas moedas e tentar aumentar suas exportações na tentativa de estimular o crescimento O resultado natural da depreciação do dólar deveria ser a valorização do yuan chinês, mas isso não ocorre em razão da determinação do governo de Pequim de manter sua moeda atrelada à norte-americana
O comunicado de Seul não faz referência explícita ao yuan nem à expansão monetária norte-americana, o que não seria aceito por nenhum dos dois países Mas o texto fala que os integrantes do G20 vão ''se mover'' na direção de taxas de câmbio mais determinadas pelo mercado e que reflita os fundamentos da economia, além de aumentar a flexibilidade de seus sistemas cambiais e evitar ''desvalorizações competitivas'' de suas moedas

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