G-8 promete ação decisiva para combater a pobreza
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domingo, 22 de julho de 2001
Associated Press De Gênova 
Os líderes do Grupo dos Oito (G-8, os sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia), abalados pela violência das manifestações contra o capitalismo, encerraram ontem seu encontro anual, prometendo atrair os países pobres para a economia mundial e fazer a globalização funcionar.
Após uma reunião em separado, os presidentes de Estados Unidos e Rússia, George W. Bush e Vladimir Putin, anunciaram um inesperado acordo para vincular o plano norte-americano de construir um escudo antimísseis à redução dos arsenais nucleares, uma medida que deverá diminuir as tensões entre os dois países.
Após três dias de duros combates entre manifestantes e a polícia - que deixaram um ativista morto, cerca de 300 feridos, quase 180 detidos além de um prejuízo de aproximadamente US$ 6 milhões - o G-8 prometeu um diálogo livre e aberto com seus cidadãos e ações decisivas para combater a pobreza, especialmente na África.
Estamos determinados a fazer a globalização funcionar para todos os nossos cidadãos e especialmente nos países pobres, indicou o comunicado final do encontro na cidade Gênova, norte da Itália.
Atendendo em parte ao principal pedido dos mais de 150.000 manifestantes que se congregaram em Gênova, os líderes do G-8 deram novos passos em favor dos pobres, com a redução de US$ 53 bilhões da dívida externa de 23 países, que atinge US$ 74 milhões.
No entanto, os líderes de Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Rússia e Estados Unidos fracassaram em chegar a um acordo sobre o Protocolo de Kyoto, de redução de emissões de gases e o aquecimento global.
Boa parte dos desacordos foram provocados pela atitude decidida de Bush, que participou pela primeira vez de uma reunião do G-8. O presidente norte-americano já havia deixado claro antes de ir a Gênova que não estava disposto a ceder sobre Kyoto.
Os líderes do G-8 não tiveram dificuldades para acertar, ao longo dos três dias de encontro, um Fundo Mundial para a Aids e a Saúde (no valor de US$ 1,2 bilhão), seu apoio a um plano de desenvolvimento para a África - sem cifras nem prazo determinados - e uma vaga declaração sobre a possibilidade de enviar observadores internacionais para o Oriente Médio.
Os presidentes e chefes de governo estiveram reunidos desde sexta-feira no Palácio Ducal, no centro velho de Gênova, em uma chamada zona vermelha de segurança cercada por barreiras de concreto e metal e protegidos por cerca de 20.000 policiais e soldados.
Em seu comunicado final, os líderes do G-8 agradeceram aos cidadãos de Gênova, mas deploraram a violência, a perda de vida e o vandalismo. O governo italiano aprovou um pacote inicial de aproximadamente US$ 6 milhões para ajudar a pagar os prejuízos causados pelos manifestantes antiglobalização.
No início da tarde de ontem os ativistas já haviam abandonado a cidade portuária, deixando carros e imóveis incendiados, vitrines quebradas e propriedades pichadas e destruídas.


