G-7 decepciona mercado e bolsas caem
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segunda-feira, 05 de outubro de 1998
Agência Estado 
As bolsas de valores domésticas fecharam em queda ontem, acompanhando o desapontamento internacional com a falta de novidades da reunião do G-7 neste fim-de-semana. O Ibovespa recuou 4,47%, com volume negociado de míseros US$ 193 milhões. O IBV carioca perdeu 3,37%. Em Nova York, o Dow Jones fechou em baixa de 63,34 pontos, ou 0,81%, para 7.721,35 pontos.
Como na sexta-feira o mercado havia subido, impulsionado pela expectativa de finalmente ser anunciado um pacote de recursos ao Brasil e pela aposta na reeleição de Fernando Henrique, ontem só restou realizar lucros. Mesmo porque os investidores estão com a pulga atrás da orelha com a nova bancada do Congresso, temendo um crescimento expressivo da oposição, que eventualmente poderá barrar as reformas e o ajuste fiscal pretendidos pelo governo.
Também os resultados nos estados estão surpreendendo. Muitos segundos turnos com candidatos oposicionistas não estavam na conta dos operadores, nem dos institutos de pesquisa. A população fez um hedge: votou no real (FHC) para a Presidência, mas, para governo estadual, votou em governadores que possam protegê-la contra o anunciado ajuste fiscal, avaliou um executivo.
O mercado agora, pela ordem, prestará atenção nas medidas de ajuste fiscal, cuja magnitude, segundo o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, envolve um corte em torno de R$ 25 bilhões. Franco não confirmou se R$ 10 bilhões viriam de aumento de impostos, conforme disse o diretor de Política Monetária, Francisco Lopes.
Na sequência, as instituições financeiras imaginam que seja finalmente anunciado o pacote de ajuda internacional para o Brasil. Até estas duas boas-novas acontecerem, o mercado deve andar de lado, alternando altas e baixas, sem definir tendência.
Olhos e ouvidos atentos no voto-a-voto da apuração das eleições presidenciais. Foi assim que passou o mercado financeiro ontem. O dia acabou rendendo um pouco mais emoção do que se esperava. Em vez de uma vantagem tranquilizadora, prevista pelas pesquisas eleitorais, o candidato de consenso do mercado financeiro acabou registrando uma vantagem, de certa forma, apertada.


