As bolsas de valores domésticas fecharam em queda ontem, acompanhando o desapontamento internacional com a falta de novidades da reunião do G-7 neste fim-de-semana. O Ibovespa recuou 4,47%, com volume negociado de míseros US$ 193 milhões. O IBV carioca perdeu 3,37%. Em Nova York, o Dow Jones fechou em baixa de 63,34 pontos, ou 0,81%, para 7.721,35 pontos.
Como na sexta-feira o mercado havia subido, impulsionado pela expectativa de finalmente ser anunciado um pacote de recursos ao Brasil e pela aposta na reeleição de Fernando Henrique, ontem só restou realizar lucros. Mesmo porque os investidores estão com a pulga atrás da orelha com a nova bancada do Congresso, temendo um crescimento expressivo da oposição, que eventualmente poderá barrar as reformas e o ajuste fiscal pretendidos pelo governo.
Também os resultados nos estados estão surpreendendo. Muitos segundos turnos com candidatos oposicionistas não estavam na conta dos operadores, nem dos institutos de pesquisa. ‘‘A população fez um hedge: votou no real (FHC) para a Presidência, mas, para governo estadual, votou em governadores que possam protegê-la contra o anunciado ajuste fiscal’’, avaliou um executivo.
O mercado agora, pela ordem, prestará atenção nas medidas de ajuste fiscal, cuja magnitude, segundo o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, envolve um corte em torno de R$ 25 bilhões. Franco não confirmou se R$ 10 bilhões viriam de aumento de impostos, conforme disse o diretor de Política Monetária, Francisco Lopes.
Na sequência, as instituições financeiras imaginam que seja finalmente anunciado o pacote de ajuda internacional para o Brasil. Até estas duas boas-novas acontecerem, o mercado deve andar de lado, alternando altas e baixas, sem definir tendência.
Olhos e ouvidos atentos no voto-a-voto da apuração das eleições presidenciais. Foi assim que passou o mercado financeiro ontem. O dia acabou rendendo um pouco mais emoção do que se esperava. Em vez de uma vantagem tranquilizadora, prevista pelas pesquisas eleitorais, o candidato de consenso do mercado financeiro acabou registrando uma vantagem, de certa forma, apertada.

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