G-20 tem decisões menos ambiciosas que Bretton Woods
Londres - As definições da cúpula financeira de Washington devem ficar longe de se tornar um novo Bretton Woods, na avaliação de especialistas. O encontro de amanhã (15) dos chefes de Estado do G20 tem sido comparado com a conferência realizada em julho de 1944, responsável por formular o atual sistema financeiro internacional.
Agora as perspectivas apontam para decisões menos ambiciosas. Analistas dizem que o encontro deve priorizar as ações de curto prazo para combater a crise. É fato que as organizações precisam de reformas diante da turbulência global, mas esse processo só será finalizado no longo prazo, após novas discussões.
Conforme analistas, são vários os motivos que diferenciam a cúpula de Washington de Bretton Woods, ocorrida no final da Segunda Guerra Mundial, no vilarejo em New Hampshire. A principal é a condição econômica e histórica dos dois períodos.
A crise atual é bastante séria e terá um impacto muito significativo no mundo, mas não se trata de uma guerra, afirmou o presidente da Inter-American Dialogue, Peter Hakim. Além disso, avalia, antes de Bretton Woods as instituições internacionais - o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial - não existiam. Agora, trata-se da necessidade de reformulação das entidades criadas naquela época, um processo mais modesto. Qualquer conversa sobre um Bretton Woods 2 é muito prematura, disse Hakim. Se os países chegarem a um acordo básico já será positivo.
A falta de tempo para a preparação da cúpula financeira também é apontada como uma diferença relevante. Bretton Woods foi precedida por dois anos de negociações prévias, e não duas semanas, como aponta Gideon Rachman, comentarista do Financial Times. Ele chama de fantasias grandiosas as comparações entre os dois encontros.
Para o economista Stephen Green, do banco inglês Standard and Chartered, os países estão lidando atualmente com suas próprias turbulências internas, possivelmente sem o tempo necessário para avaliar o que precisa ser feito para solucionar os problemas. Provavelmente veremos acordos amplos em alguns princípios e o estabelecimento de grupos de trabalho para a preparação de uma segunda reunião mais conclusiva no próximo ano. (D.M./A.E.)





