Futuro presidente do BC será sabatinado amanhã
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segunda-feira, 16 de dezembro de 2002
Agência Estado 
Brasília - O ex-presidente mundial do BankBoston Henrique Meirelles, indicado para a presidência do Banco Central, será sabatinado amanhã na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, numa sessão que deve começar no início da noite.
Embora o líder do PT, senador Eduardo Suplicy (SP), tenha antecipado que as perguntas dos petistas ''serão duras como sempre foram'', a senadora Heloisa Helena (PT-AL) deve ser o único voto contrário na comissão.
Meirelles deverá ser ouvido somente à noite porque pela manhã, às 10 horas, haverá na comissão uma audiência pública com o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Será a 11 vez que o ministro comparece à CAE. Dessa vez, para falar sobre o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), por requerimento de Suplicy.
Malan corre o risco de falar para uma platéia vazia. Não por estar se despedindo do comando da economia brasileira, mas porque a maioria dos senadores começa o expediente da semana no início da tarde de terça-feira.
Hoje, a secretaria-geral do Senado deve receber a mensagem do presidente Fernando Henrique Cardoso designando Meirelles para o comando do BC. O texto será lido na sessão da tarde, antes de ser encaminhado à CAE. Os senadores terão a oportunidade de conhecer à tarde o futuro dirigente do BC. É o que prevê Suplicy, após ter acertado, na quinta-feira, a visita de Meirelles ao Senado, como de praxe ocorre com todos os candidatos que dependem do aval da Casa para ocupar o cargo.
Todos os nomes até agora indicados ao BC foram aprovados pelo Senado e assumiram a vaga, com exceção de Francisco Lopes. A mensagem do presidente Fernando Henrique indicando o economista, que na época era diretor do banco, foi aprovada em plenário em janeiro de 1999 por 67 dos 81 senadores. Mas o governo mudou de idéia e dias depois indicou o atual presidente, Armínio Fraga, para comandar o banco. A exemplo do que ocorre com Henrique Meirelles, Fraga também atuou numa instituição privada, o Soros Fund Management, antes de assumir o BC.
Foi exatamente esse o ponto mais usado, na época, pelos senadores oposicionistas, sobretudo os petistas, para atacar Fraga. Até governistas, como Pedro Simon (PMDB-RS), questionaram o atual presidente do BC. Entre outras coisas, ele perguntou a Armínio se ele havia ''cortado os laços com o lado de lá''. Roberto Saturnino (PT-RJ) não deixou por menos.
O próprio Suplicy não deixou por menos. ''A trajetória profissional de V.S caracteriza-se, assim, por uma notável mobilidade entre o Banco Central e firmas financeiras estrangeiras, um pouco daquilo que o economista John Kenneth Galbraith tão bem caracterizou, quando disse que havia uma verdadeira simbiose burocrática entre pessoas que vinham do setor público para o setor privado, misturando interesses e objetivos'', disse ele a Armínio Fraga.
O mais duro, porém, foi o senador José Eduardo Dutra (PT-SE). ''Quero saber se a opção de V. S. realmente é uma opção patriótica ou se, dentro dos conhecimentos que V.S. tem do mercado financeiro, não seria uma aplicação no mercado futuro'', afirmou ele, diante de Armínio Fraga. Resta ver se as perguntas desta vez terão o mesmo tom.


