Oswaldo Petrin
De Londrina
Preço mínimo de garantia móvel, que seja equivalente ao preço do produto importado e internalizado, acrescido das vantagens externas concedidas nos países de origem para o trigo importado. Este é um dos itens da proposta do Paraná para a safra de trigo deste ano. O documento foi elaborado pela Secretaria da Agricultura, através do Deral; Federação da Agricultura (Faep), Organização das Cooperativas (Ocepar) e Federação das Cooperativas do Rio Grande do Sul (Fecotrigo).
Os recursos de custeio previstos na proposta são de R$ 480 milhões, suficientes para o plantio e tratos culturais de 1,5 milhão de hectares. A proposta é para que sejam mantidos juros diferenciados de 8,75% para lavouras normais e 5,75% para lavouras atendidas pelo Pronaf.
O documento foi entregue esta semana ao ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, pelo secretário da Agricultura Norberto Ortigara; pelo presidente da Faep, Ágide Meneguette; pelo presidente da Ocepar, João Paulo Koslovisk e diretores da Fecotrigo.
Este jornal entrevistou ontem o técnico do Deral Otmar Hubner, um dos autores da proposta, elaborada por técnicos das instituições signatárias. Ele comparou
a área plantada na última safra 1,2 milhão de hectares, com a área prevista para a próxima safra 1,5 milhão de ha, considerando um crescimento razoável.
O volume de recursos que estão sendo pleiteados (menos de R$ 500 milhões) são razoáveis quando comparados ao que o País tem gasto com as importações de trigo, cerca de R$ 1 bilhão.
Paranaenses e gaúchos também defendem que o governo possibilite a adoção do seguro agrícola privado para o trigo, talvez nos moldes da Cosesp, mas que tenha a participação do governo.
Outro ponto importante é o que vai incidir na colheita, mas já consta da proposta. Trata-se da liberação de recursos através de Empréstimo do Governo Federal (EGF) via indústria para dar fluxo à comercialização do produto nacional, e de Aquisições pelo Governo Federal (AGF) no caso do Pronaf, além da liberação de EGF para sementes.
Uma preocupação importante levada ao ministro da Agricultura é com relação a safra do ano que vem. A falta de incentivos nesta safra, que começa oficialmente dia 20 em março, pode comprometer a produção de sementes para o próximo ano.
A introdução do sistema de contrato de opção na compra e venda do trigo, a exemplo do que ocorre com a soja e o milho, também faz parte da proposta. E o prêmio de escoamento da produção o PEP. O especialista do Deral lembra que na última safra, cuja comercialização correu bem, não houve necessidade de se recorrer ao PEP, mas nada garante que a próxima safra tenha uma comercialização tão tranquila, portanto, os produtores não podem prescindir do PEP.
O importante para os produtores é que o ministro Pratini está interessado em melhorar o tratamento ao trigo. Ele próprio tem afirmado que o governo tem um plano para a safra e quer recuperar gradualmente a produção do cereal. A decisão do governo pode ser conhecida ainda na primeira quinzena de fevereiro.