Futuro de 45 mil
acionistas e de
pessoal é incerto
A venda do Banestado traz apreensão para o quadro de 8 mil funcionários e para 45 mil pequenos acionistas. O presidente do Banco, Reinhold Stephanes, admitiu que a privatização não traz qualquer garantia de emprego. ‘‘Mas esperamos que não haja demissão porque o banco tem um excelente quadro de funcionários e está com uma estrutura de instituição privada’’, afirmou. Ele disse que, enquanto o Itaú mantém uma média de 20 funcionários por agência, o Banestado reúne 21.
Para atingir esse número, o Banestado contou com um Plano de Demissão Voluntária (PDV), já concluído e que resultou na adesão de 2,1 mil servidores. O quadro anterior reunia 10 mil funcionários. Pela legislação, os servidores terão direito a 10% das ações do Banco no leilão, com pagamento facilitado. ‘‘Serão acessíveis para que os funcionários de fato participem’’, assegurou.
Já os 45 mil acionistas minoritários não recebem qualquer incentivo para participar do processo de privatização. Ele reconheceu que a saúde financeira debilitada do Banestado fez os papéis dos pequenos acionistas, adquiridos ao longo de anos, ‘‘virarem pó’’. ‘‘Agora, com o saneamento, eles passam a valer, mas muito pouco, apesar de que a venda lança uma luz no fim do túnel’’, explicou.
De acordo com Stephanes, há perspectiva de valorização das ações com a venda do Banestado. Ele disse que bancos privatizados conseguiram aumentar o valor de suas ações em 200%, 300% e até 700%. ‘‘Claro que cada caso é um caso, mas haverá recuperação’’. Ele não teme uma avalanche de processos judiciais dos acionistas e assegurou que o valor das ações, no passado, era ‘maquiado’. (P.Z.)