Na teoria
A explicação para o Natal fraco: consumidor antecipou as compras e já comprometeu parte do 13º

Analistas econômicos, empresários e executivos estão divididos sobre o futuro da economia nas próximas semanas. Para uns, a economia já dá sinais de esgotamento na capacidade do consumidor se endividar no curto prazo e o consumo do Natal não deve ser tão forte como alguns esperam. Para outros, os sinais ainda são positivos e a economia vai aquecer.
A preocupação com o movimento deste final de ano se justifica: dele depende a adoção ou não de medidas de restrição ao crescimento econômico por parte do governo no início de 1997. Se as vendas forem muito boas e zerarem o estoque das lojas, haverá compras de reposição de mercadorias no começo do ano que vem, o que pode aquecer a economia além da expectativa do governo. Vendas mais fracas significam compras menores em janeiro e fevereiro, imprimindo um ritmo mais lento. Nesta hipótese, haveria um freio espontâneo.
A inadimplência do consumidor é o indicador que será analisado com mais cautela. Duas séries distintas mostram crescimento no calote desde outubro. O registro de novos inadimplentes no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) aumentou 18% em outubro sobre setembro e nos primeiros quinze dias de novembro voltou a subir 6% sobre o mesmo período de outubro, informa a Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Em relação aos níveis alarmantes de 95, a inadimplência está menor.
Os números da Servloj, empresa que administra carteiras de crédito ao consumidor para oito bancos e várias lojas, mostram que os atrasos superiores a 180 dias aumentaram desde setembro e chegaram a outubro em um nível superior ao de junho: 5,85% do total de compras. Para Celso Galletti, da Servloj, ‘‘a inadimplência continuará subindo’’.
Vendas Dois termômetros de vendas também indicam a possibilidade de um Natal mais fraco do que o esperado. As consultas ao SPC ficaram 0,1% negativas entre os dias 1º e 21 de novembro em comparação ao mesmo período do ano passado. Esse comportamento é fora do normal: em 95, as vendas cresceram 5,4% na média diária entre estes dois meses. Emílio Alfieri, da Associação Comercial de São Paulo, diz que é preciso esperar o final do mês para analisar o que está acontecendo. ‘‘No dia 30 tem pagamento do 13º, o que pode modificar esse resultado’’. Na indústria, as vendas da linha branca subiram 9,63% em outubro sobre setembro e caíram 0,42% para a linha de imagem e som.
Para o chefe de análises econômicas do Banco JP Morgan, Marcelo Carvalho, a economia vem em um ritmo bom de crescimento. ‘‘Setembro sobre agosto deu alta de 1,3%, acima dos fatores sazonais’’, diz ele, lembrando que este é um ‘‘crescimento forte’’. Carvalho partilha da opinião de que a atividade vai encerrar 1996 em um ritmo alto e levará o governo a adotar medidas de restrição da atividade. O superintendente de análises econômicas do Banco Pontual, Carlos Guzzo, vai por outra linha. Para ele, a capacidade do consumidor se endividar no curto prazo está comprometida e as vendas de final de ano tendem a ser menores.

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