Curitiba - O futuro da classe média vai depender da continuidade do crescimento econômico e da ampliação e do barateamento do crédito. Até porque a principal forma que essa camada da população utiliza para adquirir ''bens maiores'' - como automóveis e imóveis - são os financiamentos. O desempenho da economia brasileira terá ainda a responsabilidade de garantir a preservação dos empregos e dos salários. Caso o País ingresse em um ciclo de recuperação, é provável que a classe média tenha um horizonte promissor. Esta é a opinião de economistas ouvidos pela FOLHA.
Essa fatia grande da população, que hoje representa 53% do total de habitantes, pode ser definida por uma renda familiar que varia de R$ 1.115 a R$ 4.807, ou seja, a tão comentada atual classe C. Nos últimos anos, o País sofreu um processo de mobilidade social no qual as classes D e E tiveram as portas abertas para a classe média com a recuperação da economia e do emprego, além do aumento dos salários. Com isso, passaram a ter acesso mais fácil a eletrodomésticos mais modernos, equipamentos de informática, carro, além da casa própria, nem que seja adquirido por meio de crédito imobiliário.
Hoje é uma camada bem ampla da população, predominantemente, formada por trabalhadores com carteira assinada e servidores públicos. O professor do curso de Economia da FAE Business School, Gilmar Mendes Lourenço destaca que essas pessoas puderam ainda ter acesso a serviços como escola particular e refeição fora de casa por lazer.
Raízes
A base da ascensão da classe média ocorreu nos primeiros anos do Plano Real, mas o ''alargamento'' ocorreu a partir de 2004/2005, quando a economia brasileira teve uma recuperação mais consistente. A partir desse período, houveram vários fatores positivos como a recuperação do mercado interno, a política de valorização do salário mínimo, a melhora do emprego e a ampliação do crédito. Com isso, aumentou a renda e o potencial de consumo.
Para o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, a ascensão da classe média ocorreu a partir da distribuição de renda mais acentuada promovida pela elevação do salário mínimo, da expansão dos programas sociais, do aumento real dos salários e do crescimento da economia. ''A redução acentuada da pobreza no Brasil tem sustentado o consumo e o crescimento do País. A renda e o crédito sustentaram o crescimento do Brasil'', destacou.
O professor de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), Sadi Dal Rosso, lembrou que a ascensão das classes sociais sempre ocorreu em períodos de crescimento da economia. ''Períodos de crescimento superiores a três anos têm impacto na classe média'', destacou. E o que reduz o tamanho dela é a recessão econômica. Para ele, os principais mecanismos de redistribuição de renda são a aposentadoria e o aumento do salário mínimo, além dos programas sociais.

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