As mulheres que moram em propriedades rurais começam a aumentar sua parcela de contribuição dentro da atividade econômica da família. Se antes elas ficavam apenas cuidando da casa, hoje elas já estão aptas a cuidar de outros itens, como a parte administrativa. Para lhes proporcionar maiores conhecimentos sobre o assunto foi realizado ontem, em Toledo, o Encontro Regional de Mulheres Produtoras que contou com a participação de cerca de 1,2 mil pessoas.
O evento, promovido pelo Sindicato Rural de Toledo, buscou motivar as produtoras a participarem mais efetivamente das atividades da propriedade, se preocupando desde o momento do plantio até a comercialização. Além disso, o encontro abordou um tema pouco conhecido por essas mulheres, os benefícios e auxílios oferecidos pela Previdência Rural.
A coordenadora do evento, Alice Persch, explica que as mulheres de produtores passaram a demonstrar maior preocupação com a propriedade depois que começaram a receber treinamentos através do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Ela completa que muitas já estão cuidando da parte contábil dos negócios. ''O desenvolvimento da informática permite que elas cuidem das áreas de investimentos na produção e dos lucros finais'', diz.
O presidente do Sindicato Rural de Toledo, Nelson Paludo, ressalta que a idéia de promover o encontro partiu depois da cobrança recebida das próprias agricultoras que há muito tempo aguardavam uma oportunidade de aprenderem um pouco mais sobre o meio rural. Ele esclarece que muitas ainda são ''totalmente leigas'' em relação à Previdência Rural. ''Elas precisam entender que a contribuição ao INSS pode significar um futuro mais tranquilo'', frisou.
Para o presidente da Faep, Ágide Meneguette, as mulheres de produtores estão demonstrando muito interesse e vontade em participar dos assuntos da propriedade, mas precisam de um incentivo maior para adquirirem a confiança necessária e dividirem as responsabilidades com o marido. ''É fundamental sua participação no meio rural. Muitas já gerenciam a propriedade e temos alguns sindicatos rurais presididos por mulheres'', informa Ágide.
A produtora rural Hildgard Campagnolo considera esse tipo de evento uma oportunidade para conhecerem novidades no setor. Ela diz que, atualmente, ajuda na organização da lavoura e na escolha de sementes e adubos, algo que não acontecia há dois anos atrás. ''Estamos tendo a liberdade de dialogar e dar opiniões no trabalho de nossos maridos. Parece que as mulheres começam a ocupar seu espaço no meio rural'', conclui.

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