Futuro da agricultura passa pelas plantas transgênicas
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segunda-feira, 16 de março de 1998
Guto Rocha 
Paulo WolfgangEureka!Cientista da Monsanto, Eric Johnson, que apresentou trabalho sobre soja transgênica ontem na Sociedade RuralO cultivo de plantas geneticamente modificadas é uma tendência natural, e no futuro será uma ferramenta a mais para o produtor conseguir maior produtividade e qualidade. A afirmação foi feita ontem pelo pesquisador norte-americano Eric Johnson, que participa da equipe de cientistas da Monsanto que desenvolveu a primeira variedade de soja transgênica, a Roundup Ready. O pesquisador fez a palestra de abertura do 1º Encontro Paranaense de Biotecnologia Aplicada à Agropecuária. O evento, que começou ontem, prossegue até amanhã no auditório Milton Alcover, no Parque de Exposições Ney Braga, em Londrina.
Segundo o chefe da Embrapa Soja, José Francisco Ferraz de Toledo, o desenvolvimento de pesquisas biotecnológicas nos Estados Unidos consumiu recursos na ordem de US$ 6 bilhões, sendo que 50% deste montante foi aplicado no setor agropecuário.
Durante sua palestra, Johnson apresentou o histórico do desenvolvimento da soja transgênica, que tem resistência ao herbicida produzido pela Monsanto. Johnson disse que as pesquisas com a soja transgênica começaram em 1983, e sete anos mais tarde a variedade Roundup Ready já era cultivada em 400 mil hectares nos Estados Unidos. Segundo o pesquisador, no ano passado a variedade foi cultivada em 4 milhões de ha, e este ano a soja transgênica vai ocupar 8 milhões de ha, o que representa 35% da área coberta com lavouras de soja nos Estados Unidos.
A Argentina foi o segundo país a adotar a soja transgênica. Segundo Johnson, os produtores argentinos começaram a plantar a Roundup Ready na safra 95/96, cultivando 120 mil ha. Na safra atual, a área ocupada com o grão transgênico já é 10 vezes maior: 1,2 milhão de ha.
No Brasil a variedade está sendo testada pela Embrapa Soja, que também trabalha na transferência do gene que confere resistência ao herbicida para outras variedades de soja. Além da Embrapa, trabalham com a soja transgênica, a Coodetec, Monsoy e Universidade Federal de Viçosa (MG). A liberação do plantio comercial da soja transgênica no Brasil ainda depende da aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Mas Johnson acredita que até o final de 1999 a variedade transgênica seja aprovada. A comissão está avaliando a variedade e isso é importante para nós porque eles vão comprovar todos os testes que nós aplicamos no grão, dando mais segurança para o produtor, comentou.
Johnson afirmou que além da soja transgênica, a Monsanto já colocou no mercado americano uma variedade de milho e outra de algodão que apresentam a mesma resistência ao herbicida Roundup. Estamos trabalhando agora para introduzir o gene no trigo, canola, cana-de-açúcar e beterraba açucareira, afirmou. No ano passado, segundo o pesquisador, a Monsanto investiu US$ 150 milhões no desenvolvimento de pesquisas na área da biotecnologia.


