Fusões mudam perfil das revendas de veículos
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sábado, 04 de maio de 2002
Benê Bianchi<br>Reportagem Local 
Londrina - O perfil do mercado de vendas de veículos está mudando em todo o Brasil. A mais recente negociação de concessionária em Londrina, concretizada semana passada envolvendo a Igapó Veículos e Metronorte (GM), é apenas um exemplo das dezenas de junções que têm ocorrido no país. O objetivo dessa movimentação, segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Veículos (Sincovave), Fernando Prochet, é otimizar custos.
Essa realidade é nacional. Não é só em Londrina que está havendo compras ou fusões. Antigamente, muitas concessionárias eram abertas por investidores, que não tinham o setor como atividade principal. Hoje já não é isso que ocorre e para sobreviver nesse mercado competitivo é preciso baixar custos, comenta Prochet.
Segundo ele, as margens de lucro de uma revenda são apertadas e seus custos fixos altos. Soma-se a isso a necessidade atual de as concessionárias subsidiarem as campanhas de fábrica para enfrentar a concorrência cada vez mais acirrada. É preciso ter uma escala de vendas razoável, caso contrário os custos pesam demais, cita.
O consenso é que as fusões ou aquisições acabam baixando os custos do produto, ao manter apenas uma administração para dois ou mais pontos de venda. Prochet comenta que as montadoras já estão aceitando o fato de se ampliar a base territorial de cada revenda. Como exemplo, o presidente do sindicato cita a empresa que dirige, a Baden (revenda de caminhões Volkswgen), que mantém uma revenda plena (com vendas, administração, peças e serviços) em Londrina, e um ponto de assistência técnica em Arapongas. O ponto de assistência gera clientes e o seu custo é menor, comenta.
Num mercado concorrido, os empresários que atuam de forma mais agressiva acabam abocanhando a fatia maior da clientela. Em alguns casos, ocorrem a compra de uma revenda por outra que trabalha com a mesma marca muitas vezes com o aval da própria montadora. Em outros, as concessionárias simplesmente encerram as atividades, como ocorreu com as tradicionais Mayrink Góes e Maracaju, que trabalhavam com a marca Ford. Outro exemplo ocorreu com a Fiat. O mesmo grupo, proprietário da Marajó, abriu a Bela Via e tempos depois uniu as duas empresas numa só.
De acordo com dados do Sincovave, nos últimos três anos houve uma redução de 15% no quadro de associados da entidade, cuja base de atuação atinge 15 cidades, indo de Apucarana até o Norte Pioneiro. O número total de revendas caiu de 56 para 48. O quadro de associados teria sofrido uma diminuição bem mais acentuada se não tivesse ocorrido a abertura de mercado e consequente instalação das revendas de importados, nos últimos anos.
Além das importadas, a cidade voltou a contar com uma revenda Ford, em janeiro de 2001, com a vinda para o Paraná do grupo paulista Disbauto. Quando a concessionária chegou à cidade, a Maracaju estava praticamente com as atividades encerradas.
Viemos para cá porque há mercado para os veículos Ford e porque havia um ponto de vendas vago. Nós não chegamos a atuar no mesmo período que a Maracaju, comenta o gerente de vendas da Disbauto, Marcos Valério Barros Garcia. Segundo ele, a revenda atende 49 cidades da região e negocia cerca de 200 veículos por mês entre novos e semi-novos.


