O número de fusões e aquisições de grandes empresas aumentou 65% no primeiro trimestre desse ano. Os setores de alimentos, bebidas e fumo foram os campeões na atração de capital externo, com um aumento de 71% na compra de empresas por parte de multinacionais. Esse ano a previsão é que US$ 25 bilhões em recursos de grupos estrangeiros sejam internalizados só para comprar empresas no Brasil. No ano passado, o apetite das multinacionais em busca de empresas nacionais foi a principal razão dos investimentos avaliados em US$ 26 bilhões. E no ano anterior, em 1998, US$ 21 bilhões foram direcionados para compra de empresas no Brasil.
Um estudo da consultoria Ernst & Young revela que depois dos grandes negócios, as fusões e aquisições devem atingir também médias e pequenas empresas no prazo máximo de cinco anos. O crescimento do movimento de fusões e aquisições esse ano foi maior em relação ao ano passado em função da desvalorização cambial que afetou a credibilidade do País e assustou os investidores. Com a desvalorização ocorrida no início de 99, automaticamente as empresas internacionais se afastaram do mercado e a paradeira foi total, na época, comenta Luiz Carlos Passetti, diretor da empresa de consultoria. O movimento de compras voltou no segundo semestre do ano passado, com o resgate da credibilidade.
Na avaliação de Passetti, o investimento de capital estrangeiro está ocorrendo em função da saturação do crescimento das indústrias nos Estados Unidos e Europa, que vêem no Brasil um novo potencial de crescimento. Os grandes conglomerados dos países desenvolvidos estão buscando mercados no Brasil, China, Índia, Leste Europeu e México, locais que ainda oferecem oportunidades de crescimento.
Por outro lado, o movimento de crescimento dos grandes conglomerados tem como alvo também a necessidade de eliminar concorrentes no mercado. ‘‘Ao mesmo tempo que elas compram uma empresa com mercado já consolidado, eliminam o concorrente’’, explica Passetti. Ele prevê que agora deve vir a onda de médias empresas adquirindo as médias e as pequenas empresas. A intenção, nesse caso, também é eliminar concorrência.
O movimento de fusões e aquisições com as pequenas e médias empresas vai atingir principalmente as empresas bem focadas que tendem a ser valorizadas. Na visão do consultor, aquelas que ‘‘atiram para todo o lado’’ não terão capital suficiente para se manter competitivas. Um dos entraves para elas se firmarem no mercado é que a maioria dessas empresas são familiares, com muitas divergências e disputas, o que reduz o valor no mercado. Para ser vendida ou sobreviver à disputa acirrada que vem aí, elas precisam ser bem focadas naquilo que fazem.
São vários os segmentos que devem atrair o capital estrangeiro, como empresas de seguros, hospitais, planos médicos, escolas e por aí vai. O interesse no mercado brasileiro deve-se ao potencial do mercado consumidor. Por enquanto, a classe média está com o poder aquisitivo estagnado e restrito às compras. Em 10 a 15 anos, quando espera-se que os problemas mais graves do País estejam solucionados, o mercado consumidor pode dar um salto de 20 milhões para 150 milhões de consumidores.
Até agora, a disponibilidade de venda para os grandes conglomerados vinha ocorrendo com mais intensidade com as indústrias de alimentos, bebidas e fumo, empresas que exigem mais capital e investimentos em tecnologia. Elas implantaram o conceito de aumento de produtividade e redução das margens de lucro (veja no quadro), fator que inviabilizou grande parte das empresas brasileiras. ‘‘Aumentou o desemprego no setor, mas a produção não caiu, pelo contrário, cresceu’’, destacou Passetti. Segundo ele, observa-se esse movimento em todos os setores da economia que receberam capital estrangeiro. Para acompanhar esse movimento, empresas como Sadia e Perdigão conseguiram competir com investimentos na atualização tecnológica que fizeram em suas plantas, ilustra o consultor.

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