Muito tem se ouvido falar de processos de fusões e aquisições entre empresas. De fato, este cenário encontra-se bem movimentado nos últimos anos. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Mercado (Anbima), 2010 foi um ano recorde com 143 operações de fusões e aquisições anunciadas, que superaram a marca dos R$ 180 bilhões.
A fusão entre as gigantes do setor de hipermercados Carrefour e Pão de Açúcar e as empresas do setor alimentício Perdigão e Sadia levantou polêmica entre os órgãos de defesa do consumidor. A preocupação gira em torno da concentração da participação das empresas no mercado, que aumenta depois de processos como estes.
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) acredita que a concentração do mercado nas mãos de poucos pode levar à elevação de preços, ''já que diminui a concorrência e as margens de negociação entre fabricantes e comércio ficam mais estreitas'', afirma o gerente de Informação do Idec, Carlos Thadeu de Oliveira.
''Em um cenário otimista, o varejo poderia forçar os preços para baixo junto a seus fornecedores, a indústria, repassando a baixa para o consumidor. Ou seja, para o consumidor, não é bom que esta decisão fique em poucas mãos.''
O CEO da empresa de consultoria OPP (Open Point Partners), Adeodato Volpi Netto, reconhece que, ''com o controle do mercado, sem exposição à concorrência, uma empresa pode determinar o preço a ser praticado no mercado de forma nociva ao consumidor.''
No entanto, ele também opina que muitas vezes estes processos acontecem e, para o consumidor, não muda nada. ''Para quem usa aquele produto todo dia, muitas vezes a empresa passa pelo processo e é como se nada tivesse acontecido.''
O cenário de certos produtos serem retirados do mercado - com a fusão ou aquisição - muitas vezes também não se verifica, diz. Ele cita o caso da aquisição do Banco Real pelo Banco Santander. ''Havia uma identidade grande dos clientes com o serviço Van Gogh, do Banco Real. Santander comprou, acabou com a marca, mas continuou com o produto'', cita o consultor.
Este é um exemplo, para ele, de que o mercado está maduro o suficiente para deixar de ser vulnerável. ''E este é o motivo de estarmos recebendo investimentos do exterior. Hoje, século XXI, com a velocidade da informação, concorrência, o mercado é quem dita a regra. Temos controle, entendimento do ambiente e relação de consumo que obriga o player a respeitar o consumidor.''
Além disso, órgãos como o Conselho Administrativo e Defesa Econômica (Cade) atuam nesse tipo de negociação, com o papel de exigir que a compra ou fusão entre empresas não seja prejudicial ao consumidor.
''O resultado dessas operações são prestadoras de serviços mais sólidas e mais competitivas'', diz Volpi Netto.
Quando pensam nestes processos, as empresas podem ter objetivos diferentes. Mas um dos casos mais comuns são aquelas em que a empresa, de médio porte, tem mercado e potencial para crescer, mas não tem capacidade produtiva suficiente nem dinheiro para investir. E então, procura empresas terceiras ao invés de bancos e acionistas, que podem gerar dívidas.

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