As pequenas e médias empresas brasileiras estão se transformando em um dos focos alternativos de investimentos de estrangeiros no Brasil, segundo avaliação de várias câmaras de comércio estrangeiras presentes no país. Países investidores como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Itália, estão identificando o Brasil como um dos principais mercados para expansão de pequenos negócios na América Latina. Esses investimentos, ainda pouco catalogados pelo Banco Central, acontecem por meio de fusões e incorporações de grupos brasileiros por estrangeiros. Os valores arrecadados estão longe dos grandes investimentos gerados pelas multinacionais. Segundo analistas, não chegam a 10% dos valores investidos pelos estrangeiros no país.
O crescimento do intercâmbio, porém, tem sido apontado como uma das principais fontes de transmissão de tecnologia entre os estrangeiros e o Brasil e uma fonte geradora de empregos.
As operações de varejo e as privatizações devem manter o nível de investimentos norte-americanos no Brasil em 98, segundo John Edwin Mein, presidente da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Cerca de um terço dos US$ 18 bilhões a ser investidos no país virá dos norte-americanos. A câmara acredita que, deste montante, a parte destinada às redes de varejo deve favorecer os pequenos e médios, principalmente os fornecedores. O Brasil está na lista dos dez países que mais recebem investimentos dos EUA.
Itália A Itália, um dos maiores investidores europeus no Brasil, também aponta um crescimento do interesse pelos pequenos negócios. Edoardo Pollastri, presidente da Câmara Brasil-Itália, diz que 18 missões de empresários italianos já visitaram o país neste ano, boa parte delas interessadas em pequenos empreendimentos.
‘‘Esses setores não vão atrair volume de investimentos como os das grandes empresas, mas vão gerar empregos e abrir novos mercados’’, afirmou o presidente da Câmara. No caso italiano, as pequenas e médias empresas de alimentação são as mais atraentes.
O Brasil também é um dos pólos de investimentos para a Alemanha, segundo Ingo Ploger, presidente da Câmara Brasil-Alemanha. O país, que é o maior investidor europeu no Brasil, tem US$ 13,3 bilhões estocados no país. Para 98, a meta é alcançar investimentos de cerca de US$ 1 bilhão. Segundo Ingo Ploger, os principais setores que devem receber investimentos alemães no Brasil ainda são as indústrias química, automobilística e eletroeletrônica. Hoje existem cerca de 1.200 empresas alemãs no Brasil, que geram negócios de US$ 30 bilhões. A câmara alemã aponta que outras 500 empresas, boa parte de médio porte, vão se instalar no Brasil nos próximos cinco anos. Para os holandeses, outros dos grandes investidores europeus no país, as redes de varejo, principalmente no setor de alimentos, devem atrair mais investimentos. ‘‘Destacamos também os equipamentos de informática e o setor de feiras e exposições’’, afirma Jan Wiegerinch, presidente da Câmara Brasil-Holanda.
Já os principais setores da economia brasileira que atraem investimentos do Canadá são os de telefonia celular, peças automotivas e mineração. A média das empresas canadenses que chegou ao Brasil cresceu no período: passou de 300 por ano, em 94, para aproximadamente 1.000, em 97. O Brasil recebeu mais de US$ 800 milhões em investimentos argentinos de 90 a 97, segundo informa a Câmara de Comércio Brasil-Argentina. De acordo com Alberto Alzueta, vice-presidente da câmara, os setores de alimentação, autopeças e bebidas foram os que receberam a maior parte dos investimentos argentinos. Segundo ele, outros setores como o de embalagens e o químico vão continuar a atrair dinheiro do país.

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