Fusão Varig-TAM poderia prejudicar consumidores
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sexta-feira, 21 de março de 2003
Agência Estado 
Rio A fusão programada entre a Varig e a TAM, caso realmente seja efetivada, colocará o mercado aéreo brasileiro no grupo dos mais concentrados do mundo e poderá trazer impactos negativos para o consumidor. Isso poderá ser evitado com uma regulamentação mais rígida, a criação de uma agência regulatória equipada e até a venda eventual de alguma subsidiária da nova empresa. A análise é de ex-integrantes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e consultorias internacionais especializadas no setor.
''Do ponto de vista do consumidor, é óbvio que o excesso de concentração é nefasto e pode vir a prejudicá-lo, como a intuição indica, com aumento de preços e redução da oferta. A perda para o consumidor parece uma realidade muito próxima'', analisa a ex-conselheira do Cade e especialista em defesa da concorrência Lúcia Helena Salgado, hoje no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). No Cade, a economista foi relatora de casos como a compra da Kolynos pela Colgate e a associação da Anheuser-Busch e Antarctica.
Estudo da Roland Berger, uma das maiores consultorias européias, mostra que o mercado brasileiro entrará no grupo dos mais concentrados mundialmente depois da fusão entre a Varig e a TAM. Com os 72% iniciais de mercado que ambas somarão, a fatia da nova empresa ficará próxima do que detêm no mercado doméstico empresas líderes da Alemanha (79%), França (80%) e Austrália (80%), alguns dos países com o maior nível de concentração. Nos Estados Unidos, ao contrário, a maior empresa detinha 15% em 2001.
Parece consenso, mesmo entre especialistas em concorrência, que a fusão das duas companhias nacionais funcionará como uma saída para se manter o transporte nas mãos de empresas brasileiras. ''A vantagem é que se consegue manter a aviação no Brasil. Caso contrário, a Varig poderia desaparecer e a TAM, no médio prazo, também. A outra alternativa seria empresas estrangeiras comprarem as locais. Mas é uma opção que o governo não quer'', diz o diretor da Roland Berger para a América do Sul, Wim van Acker.
''Acho o negócio inevitável. Com passivos todos em dólar, não havia condição de as empresas manterem equilíbrio'', reconhece a própria ex-conselheira do Cade, citando que o transporte aéreo é uma questão de interesse nacional. Ainda assim, Lúcia Helena aponta como alternativas para evitar possíveis danos à concorrência e ao consumidor uma regulação mais intensa e até eventual venda de subsidiária da nova empresa. ''É interesse do setor público garantir uma regulação mais forte e mais enérgica em direção à concorrência.''


