Fusão entre empresas preocupa trabalhadores
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de junho de 2011
Evandro Fadel <br> Agência Estado 
A indefinição sobre a fusão operacional entre Sadia e Perdigão, que está sendo discutida no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), preocupa Chapecó, no oeste de Santa Catarina, onde a Sadia tem uma de suas unidades industriais.
Representantes dos trabalhadores da empresa dizem que já encontram dificuldades na negociação de melhorias salariais, enquanto produtores temem o distanciamento na tomada de decisões. De outro lado, concorrentes salientam que o monopólio não é saudável para ninguém.
A Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf) é contra a fusão. ''Quanto maior, quanto mais internacional, menor é a relação com o agricultor'', diz o coordenador da entidade em Chapecó, Celso Ludwig. Segundo Ludwig, os produtores, assim como os consumidores, ganham com a competição de mercado. ''E não estamos falando de qualquer produto, mas de um que faz parte do café da manhã e do almoço da grande maioria da população.''
Contra a fusão também está o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Derivados de Chapecó (Sitracarnes), embora o presidente da entidade, Jenir Ponciano de Paula, não tenha expectativa de reprovação no Cade.
A Sadia trabalha na região no sistema de integração, em que o criador oferece a infraestrutura e a mão de obra, enquanto a indústria fica responsável pela ração e pela assistência técnica. No entanto, o produtor se vê obrigado a modernizar periodicamente a granja. ''Mas ele trabalha 20 anos e não consegue receita'', reclama Ludwig.
Para o coordenador da Fetraf, nesse setor há necessidade de ''relação saudável'', até para o produtor entender os valores que são pagos, o que ficaria cada vez mais difícil com uma empresa que mantém o monopólio.


