Fusão entre Cocamar e Corol está congelada
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de junho de 2011
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem local 
O estudo de uma possível fusão entre a Cocamar e a Corol, anunciada no ano passado, só deverá ser retomado depois que a cooperativa com sede em Rolândia fizer uma reestruturação financeira. O anúncio foi feito por José Cícero Aderaldo, superintendente de negócios da Cocamar, cuja matriz fica em Maringá. Segundo ele, diferentemente do que já foi divulgado, não existe um processo de fusão e, sim, um estudo.
''A Assembleia da Cocamar aprovou o estudo, logo depois contratamos uma consultoria de São Paulo que indicou que o momento não é oportuno para tal negociação'', explica Aderaldo. E a razão seria que a dívida da Corol está próxima de R$ 500 milhões.
De acordo com o advogado da Cooperativa de Rolândia, Fabiano Maranhão Rodrigues, essa questão está sendo resolvida. Uma das primeiras medidas tomadas é a venda da usina de açúcar e álcool da cooperativa, orçada em R$ 300 milhões. ''Já temos interessados e as negociações estão adiantadas'', afirma o advogado. O restante da dívida, cerca de R$ 200 milhões, está sendo negociada com os bancos. ''Logo após essa reestruturação financeira da Corol, o processo de estudo de uma possível fusão pode continuar'', sublinha Rodrigues.
Para não prejudicar os associados da Corol e fomentar a produção, a Cocamar firmou uma série de parcerias com os agricultores da região de Rolândia. Uma delas é o arrendamento de 24 entrepostos. ''Assumimos também os contratos com os produtores de laranja. Recolhemos a produção e processamos. A Corol passa a ser uma prestadora de serviços'', afirma Aderaldo. Toda a produção de laranja dos cooperados da Corol já está sendo processada na fábrica da Cocamar. ''Não compramos nada, apenas arrendamos'', explica o representante da Cocamar.
Aderaldo diz que o cooperado da Corol não é obrigado a vender para a Cocamar. Por causa disso, alguns produtores estão em busca de novos mercados para venderem seus produtos. Otacílio Campiolo, produtor de 23 mil pés de laranja na região de Rolândia, por exemplo, sempre vendeu sua safra para a Corol, mas com os rumores dessa possível fusão ficou preocupado. ''Tive que reestruturar toda a minha propriedade. Estou vendendo para outros mercados para garantir a minha renda'', comenta.
Campiolo enfatiza que sua principal preocupação neste momento é receber um preço justo na comercialização da laranja. Em 2010, o produtor vendeu 8.853 caixas para a Corol e 6.610 para a Cocamar. Esse ano ele deve produzir cerca de 40 mil caixas, mas boa parte dessa produção, segundo ele, deverá ir para São Paulo. O superintendente da Cocamar reforça que o apoio ao cooperado está sendo feito e a Cocamar ''não os deixará na mão''.
Negociações
As conversas sobre uma possível fusão entre Cocamar e Corol começou há um ano. Na época, a dívida da Corol somava R$ 400 milhões e a fusão seria a saída para aliviar o problema. Produtores estavam insatisfeitos e reclamavam da dificuldade de relacionamento entre diretoria e cooperados. A Corol também enfrentou problemas na destilaria de álcool, o que fez com que alguns agricultores atrasassen a colheita de cana em até três anos. Na ocasião das primeiras reuniões de negociação, a Cocamar firmou contrato de arrendamento de cerca de 25 unidades operacionais da Corol, localizadas na região norte do Estado. Com a fusão, a expectativa era somar perto de 15 mil cooperados.


