A união dos ativos de telefonia móvel da espanhola Telefônica e da Portugal Telecom criará a maior holding de operação celular do Brasil, com cobertura contínua do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul, justamente a área mais atraente do mercado brasileiro de telecomunicações. Além disso, a nova empresa fica ainda com Bahia e Sergipe. Para complementar o mapa das operações da holding, os analistas destacam que o Estado de Minas Gerais deve ser o próximo alvo, assim como a Tele Centro Oeste Celular (TCO), o que resultaria ainda na aquisição da Norte Brasil Telecom, controlada pela própria TCO.
‘‘Estrategicamente, a aquisição da Telemig faria muito sentido’’, afirma o analista de telecomunicações do Liberal Asset Management, Eduardo Roche. Com os conflitos societários entre TIW e Opportunity, crescem os rumores de que o grupo canadense deixaria a Telemig, abrindo possibilidades para a dupla ibérica. A compra da área 1 na banda D também é uma possibilidade cogitada pelos analistas.
Operacionalmente, a união de Telefônica e Portugal Telecom foi avaliada como altamente positiva por João Miyashiro, do banco Fator. Segundo ele, ‘‘a sinergia a ser obtida com a complementariedade das áreas de atuação das duas companhias tende a reduzir custos e aumentar os ganhos de escala’’, metas cada vez mais ambicionadas pelas operadoras. A Telefônica Celular detém operações no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Sergipe, enquanto a Portugal Telecom cobre São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Estrategicamente, tanto a Telefônica quanto a Portugal Telecom obtêm vantagens com a parceria. O grupo espanhol passa a contar com o maior e melhor mercado celular do País – São Paulo – dominado pela Telesp Celular. Os portugueses, por sua vez, ganham como parceiro um grupo de atuação global e operações convergentes, o que facilita até mesmo futuros levantamentos de recursos estrangeiros.
AnatelA Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que para a fusão entre Telefônica e Portugal Telecom ser aprovada no Brasil é preciso que as duas empresas migrem das bandas A e B para o modelo de regulamentação das bandas C, D e E (SMP – Serviço Móvel Pessoal). Além disso, a holding teria que ser liderada pela Portugal Telecom. Segundo o vice-presidente da Anatel, Francisco Perrone, a Telefônica não poderia liderar a holding porque, para isso, teria que conseguir nova autorização para prestação de serviço de telecomunicações. Essa autorização só poderia ser dada se a empresa já tivesse antecipado as metas de universalização de 2003.

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