Fusão de pequenas e médias cresce 25%
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terça-feira, 01 de março de 2011
Maigue Gueths <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Pensar que fusão e aquisição de empresas movimenta apenas as grandes corporações é um erro comum a grande parte do empresariado. No ano passado, a participação das pequenas e médias empresas brasileiras em transações que implicaram transferência total ou parcial de controle acionário aumentou entre 20% a 25% no último ano, bem acima do crescimento de 10% de fusões e aquisições envolvendo grandes empresas.
A avaliação é dos consultores da área Adeodato Volpi Neto e José Damigo Neto, sócios da Open Point Partners (OPP Brasil), empresa curitibana que atua na área de M&A (do inglês mergers and acquisitions), e que tem como foco justamente as pequenas e médias empresas. ''O ambiente para as empresas menores está mudando. Em uma economia instável, elas não recebem investimentos, mas com a situação atual do Brasil, de estabilidade econômica, o interesse pelas pequenas empresas é cada vez maior'', explica Damigo.
Em 2010, o setor de fusões e aquisições cresceu 15%, de acordo com a consultoria PricewaterhouseCoopers, uma das maiores do mercado, contabilizando R$ 144,8 bilhões de janeiro a setembro. O valor superou sua melhor marca obtida em 2007. A perspectativa para 2011 é de que os números continuem aumentando.
O interesse estrangeiro pelo País começou, segundo Volpi Netto, já em 2008, em plena crise financeira internacional. Naquele ano, os investimentos em fusões e aquisições que seguiam uma linha de crescimento pelo mundo, caíram de U$S 4 trilhões para U$S 1,5 trilhão. Já no Brasil, que conseguiu superar a crise com bom desempenho econômico, os investimentos no setor passaram de U$S 2,5 para U$S 4 trilhões. De acordo com os consultores, o interesse estrangeiro no País se consolidou em 2009, quando as principais agências de classificação de risco elevaram a posição do Brasil para ''grau de investimento'', num reconhecimento à capacidade brasileira de honrar seus compromissos financeiros.
''As pequenas e médias empresas têm que estar preparadas para a fusão ou aquisição, porque é um processo inevitável'', avalia Volpi. Damigo lembra que há dois anos, quando os sócios abriram a OPP Brasil voltada para esse nicho foram desaconselhados por grandes investidores que consideraram um mercado de risco. Hoje, segundo ele, a consultoria tem 12 projetos em andamento, que somam R$ 1 bilhão em ativos.
O foco da OPP são empresas com faturamento entre R$ 25 milhões a R$ 250 milhões por ano. Grande parte é de empresas familiares. ''Isso engloba pelo menos dois terços das empresas do Brasil. Dessas, metade pode ser alvo desse mercado'', afirma Damigo, ressaltando que no Brasil há muitos exemplos de bons negócios de empresas familiares que foram adquiridas por grandes empresas. No Paraná, ele cita o caso do Café Damasco, Malucelli Seguradora, Matte Leão e Shopping Crystal.


