São Paulo - A fusão entre Sadia e Perdigão, que resultou na criação da Brasil Foods (BFR), dá origem a uma ''grande multinacional brasileira'', anunciaram o presidente da Perdigão, Nildemar Secches, e o presidente do Conselho de Administração da Sadia, Luiz Fernando Furlan. O acordo foi assinado anteontem à noite e anunciado ontem de manhã ao mercado.
''É uma grande multinacional brasileira de alimentos brasileiros processados'', definiu Secches em entrevista coletiva, em São Paulo, concedida para explicar os detalhes do negócio. Pelo acordo fechado, 68% do capital da nova empresa ficará com acionistas da Perdigão e 32% com acionistas da Sadia.
No processo de fusão previsto, a Perdigão muda de nome para BRF e a Sadia para HFF, e em seguida ocorre a incorporação das ações da HFF pela BRF. Os Conselhos de Administração das duas empresas serão formadas pelas mesmas pessoas, e o presidente de uma será co-presidente da outra -ou seja, o controle será dividido entre Secches e Furlan.
Segundo o comunicado, o acordo foi aprovado pelos Conselhos de Administração das duas empresas e ainda precisa passar por adesão dos acionistas de ambas. ''A concretização da associação também depende da apresentação da operação aos órgãos antitruste de outras jurisdições nas quais essa exigência legal seja necessária, em virtude de a Perdigão e a Sadia possuírem operações.''
Entre esses orgãos estão, por exemplo, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a SDE (Secretaria de Direito Econômico).
A Brasil Foods informou ainda que realizará uma oferta pública de ações no valor estimado de R$ 4 bilhões, que segundo as empresas tem o objetivo de captar recursos para sanar os problemas financeiros da Sadia. No fim de março, a empresa apresentava uma dívida total de R$ 8 bilhões. Somente no curto prazo, ou seja, até o primeiro trimestre de 2010, a empresa tem um passivo financeiro de R$ 4,27 bilhões. A maior parcela, equivalente a R$ 1,87 bilhão, vence no terceiro trimestre deste ano.
Conforme as empresas, as ações da Brasil Foods continuarão a ser negociadas no Novo Mercado, ambiente da Bovespa que exige maior grau de governança corporativa e em que hoje está listada a Perdigão.
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) não participou do negócio, conforme esperado. O presidente do banco, Luciano Coutinho, porém, já disse hoje que tem interesse em participar da nova empresa, mas vai esperar o lançamento de ações.
Brasil Foods
A nova empresa nasce com os apostos de décima maior empresa de alimentos das Américas, segunda maior indústria alimentícia do Brasil (atrás apenas do frigorífico JBS Friboi), maior produtora e exportadora mundial de carnes processadas e terceira maior exportadora brasileira (atrás de Petrobras e da mineradora Vale).
Com cerca de 119 mil funcionários, 42 fábricas e mais de R$ 10 bilhões em exportações por ano (cerca de 42% da produção), a gigante surge com um faturamento anual líquido de R$ 22 bilhões.
A fusão foi concretizada depois de meses de negociações. A elaboração final do contrato, informa a reportagem, foi marcada por muitas idas e vindas entre advogados e executivos de bancos de investimentos envolvidos no acordo.
As discordâncias eram com relação ao valor patrimonial do banco Concórdia, que pertence à Sadia. Desde o início, estava decidido que a área financeira do grupo ficaria fora da BRF. A avaliação de seu valor para baixo, no entanto, significou milhões de reais a menos em ações, para os acionistas da Sadia.

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