Na sede administrativa da Corol Cooperativa Agroindustrial, em Rolândia, 122 delegados eleitos - cada qual representando 55 associados da cooperativa de diversas regiões - e mais alguns cooperados aprovaram por unâmidade, em assembleia geral extraordinária, a realização da fusão com a Cocamar, de Maringá, e a Cofercatu, de Porecatu. Após sete pré-assembleias, com muitas dúvidas e discussões entre os produtores, ficou definido que o projeto de fusão intitulado ''3 em 1'' continua em execução. Com fusão, as três cooperativas formam a segunda maior do Paraná, acumulando por volta de R$ 1,7 bilhão em ativos e somam uma dívida que atinge os R$ 683 milhões. Anteontem, cooperados da Cocamar aprovaram a proposta da diretoria para a realização de estudos que envolvem o negócio, enquanto a Cofercatu ainda não realizou tais pré-assembleias.

Os presidentes das três cooperativas estiveram presentes na reunião, sendo que alguns números que envolvem a Corol e a Cocamar - as duas maiores na negociação - foram expostos aos cooperados. Em conjunto, Corol, Cocamar e Cofercatu somarão mais de 60 entrepostos, 15 mil associados e um quadro de funcionários que passa de 4 mil pessoas. O faturamento atual ultrapassa os R$ 2 bilhões, com expectativa que atinja R$ 3 bilhões em poucos anos. ''Todos sabem da nossa situação nos últimos dois anos, as agruras que temos passado. O potêncial que temos com a fusão é muito grande'', salientou Eliseu de Paula, presidente da Corol. A dívida da cooperativa é calculada em R$ 320 milhões.

Já Luiz Lourenço, presidente da Cocamar, fez questão de dizer que a fusão vai tornar as três cooperativas mais eficientes nos negócios. De fato, a junção das empresas representará 15% da produção da soja e 42% da produção do café de todo o Estado. Só de exportação, são US$ 84 milhões anualmente. ''O futuro é para os fortes e esta fusão é natural. O trabalho não é fácil e este tipo de negócio não se faz de uma hora para outra, demanda tempo'', comentou Lourenço.

Pensando de forma mais prática, José Otaviano de Oliveira Ribeiro, presidente da Cofercatu, voltou a dizer que não vê outra alternativa para a cooperativa de Porecatu a não ser a fusão com as gigantes do Paraná. ''Como cooperativa pequena, não temos outra opção. Nosso faturamento é de apenas R$ 80 milhões e com a venda das nossas usinas de cana, caímos de 3 mil para cerca de 70 funcionários'', relatou.

Para sanar algumas dúvidas dos cooperados e apontar quais serão as próximas etapas da fusão, o consultor Vandemir Campelo, responsável por uma equipe de 12 pessoas que está realizando um ''raio-x'' das cooperativas, disse que até o final do mês já possuirá uma fotografia da situação atual das empresas. ''Na segunda etapa, formularemos uma nova modelagem financeira e jurídica. Talvez demore até alguns anos para o término de todo o processo'', retratou o consultor.

Em relação a quem comandará a mega cooperativa que está surgindo, os três presidentes preferiram desconversar. Entretanto, Eliseu de Paula disse que ainda está com ''tesão'' para continuar a frente dos negócios.''Ainda não sabemos como será este processo'', completou. Já José Otaviano, da Cofercatu, preferiu comentar que ''não é o momento para pensar neste assunto''.

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