Agência Folha
Os controladores da Antarctica e da Brahma estão confiantes na aprovação da AmBev - a nova empresa criada pela fusa entre as duas cervejarias - pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). ‘‘Nós estamos convictos de que a associação será aprovada’’, afirmou Victório De Marchi, co-presidente da nova empresa. Segundo ele, a concentração de mercado será compensada pelo ganho de eficiência. ‘‘A concentração de produtores de cerveja e refrigerantes é mundial’’, argumentou.
Ao contrário do que se chegou a pensar, as duas empresas não obtiveram uma aprovação informal do governo antes de anunciar a fusão, segundo uma pessoa que participou da estruturação do negócio ouvida pela reportagem. A expectativa é, a partir de agora, convencer o Cade de que a empresa terá condições de competir em um mercado globalizado. Outro argumento forte é que no mercado de refrigerantes a predominância da AmBev não existe, ao contrário do que acontece no segmento de cervejas.
‘‘O Cade poderá fixar exigências que teremos de cumprir’’, disse De Marchi. Uma dessas exigências, segundo Marcel Telles, co-presidente da AmBev, deverá ser a de manter separadas as três redes de distribuição hoje existentes: da Brahma, da Antarctica e da Skol. Essa iniciativa já foi tomada pela própria AmBev.
Para Telles, o caso da AmBev abrirá um novo caminho. ‘‘Esse tipo de associação é inevitável. Haverá outros campeões brasileiros de setores da indústria que irão se unir para disputar um mercado global’’. Segundo ele, a competição das empresas brasileiras com as estrangeiras é desigual do ponto de vista do custo do capital. ‘‘Mesmo uma empresa como a nossa pagaria algo em torno de 14% para captar dinheiro, enquanto as competidoras estrangeiras pagam 7%, metade. É isso que eu acho que outras empresas vão perceber e que levará a outras uniões’’.
Para ele, o desafio do direito econômico será permitir essas associações e ainda assim assegurar o direito do consumidor. Enquanto a decisão não sai, a nova empresa avançará. ‘‘A sociedade está formalizada desde ontem e vamos prosseguir com a atuação’’, disse De Marchi.
Os atuais controladores da Brahma terão o dobro do tamanho dos atuais controladores da Antarctica no capital votante da AmBev. Os sócios da GP Investimentos, que controla a Brahma, terão 46% das ações ordinárias (com direito a voto) da nova empresa. Os principais sócios da GP com participação na Brahma são Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles.
A Fundação Antonio e Helena Zerrenner, controladora da Antarctica, terá 23% das ações ordinárias da AmBev. Será a maior acionista individual, já que os sócios da GP dividem seu bloco.
O peso maior para a Brahma resulta de uma avaliação das duas companhias. ‘‘Foi feita uma avaliação do valor econômico das duas companhias pelo banco Morgan Stanley’’, disse Victório De Marchi, diretor-geral da Antarctica e co-presidente da AmBev. Apesar dessa disparidade, De Marchi negou que a operação seja uma aquisição da Antarctica pela Brahma. ‘‘Aquisição está fora de qualquer dúvida’’.Empresas ainda têm de provar ao governo que a Ambev poderá competir sem ferir as regras do mercado globalizado
Marie Hippenmeyer/France Presse‘Politicamente corretos’Marcel Telles e Victorio de Marchi, diretores de Brahma e Antarctica, brindam, com refrigerante, a megafusão

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