Vânia Casado
De curitiba
A criação da Ambev, com a fusão das cervejarias Antárctica e Brahma, deverá impulsionar o plantio de cevada na região Sul do País, beneficiando a incorporação de mais produtores ao processo produtivo. O aumento da produção deverá suprir o crescimento da demanda criada com a fusão das empresas, que somam cerca de 250.000 toneladas anuais.
Só no Paraná, o plantio de cevada deverá crescer 30%, principalmente nas regiões Sul e Centro-Sul. Nos três estados do Sul, a área ocupada com a cultura cresce de 42.000 hectares para 52.000 hectares.
O fomento ao plantio de cevada vem sendo executado pela Antárctica num processo de susbstituição das importações. ‘‘ Há quatro anos que a empresa não sabe mais o que é importar cevada’’, disse Valmir Ferrari, gerente geral de fomento da Antártica na região Sul.
A demanda da Antárctica está avaliada em 100.000 toneladas de cevada e da Brahma, em 150.000 toneladas anuais. Para implementar o crescimento de área, a empresa já prepara a distribuição de 85.000 sacas de semente que serão repassadas aos produtores nos próximos dias. O período de plantio no Paraná começa em meados de maio.
A empresa deverá manter uma política agressiva de compras e vai assegurar a comercialização e a assistência técnica aos produtores. O aumento da área plantada vai ocorrer em duas frentes: uma é o aumento da área plantada dos 2.000 produtores tradicionais integrados à Antárctica.
A outra, poderá ser a incorporação de novos produtores, desde que sejam tecnificados, como exige a empresa. Ferrari lembrou que a Antárctica não prioriza grandes produtores, mas sim aqueles que utilizam à tecnologia no plantio como o cuidade com a adubação e os tratos culturais recomendados.
O essencial é garantir um rendimento que torne o plantio de cevada viável economicamente aos produtores. Além disso, a produção precisa apresentar boa qualidade para a indústria, destacou Ferrari.
O plantio de cevada tem se revelado um bom negócio para os produtores que atingem produtividade acima de 2.100 quilos por hectare. Esse ano, a Antártica fixou o preço da cultura em R$ 202,00 a tonelada, cerca de 10% acima do preço fixado no ano passado que foi de R$ 185,00 a tonelada.
O valor cobre o custo de produção avaliado em 2.000 quilos por hectare. ‘‘Acima disso é lucro para o produtor e tem muitos que atingem o índice de 4.000 a 4.500 quilos por hectare’’.
Interesse Com essa lucratividade, a Antárctica vem sendo muito assediada pelos produtores, admite Ferrari. Ele disse, no entanto, que a empresa faz uma seleção rigorosa dos produtores, escolhendo os mais tecnificados para eles não falarem depois que a cultura não é rentável e a qualidade da matéria prima utilizada pela indústria não ficar prejudicada.
Segundo Ferrari, os avanços em tecnologia na produção de cevada vem sendo obtidos nos últimos quatro anos na região Sul do País, quando a Antárctica decidiu substituir as importações do produto.
Ferrari acredita que a expansão do plantio para atender a fusão das cervejarias deve ocorrer principalmente no Paraná, já que a Brahma tem sua demanda atendida com o plantio no Rio Grande do Sul.
Para produzir matéria-prima de boa qualidade, dentro dos padrões exigidos pelas indústrias, os produtores contarão com assistência técnica das próprias empresas.

mockup