Furtos preocupam empresas de eletricidade
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quarta-feira, 10 de novembro de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os furtos de condutores e equipamentos de energia têm preocupado companhias de geração e transmissão de eletricidade em todo o Brasil. Em dois anos, segundo estudos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), foram roubados condutores em distância similar a ida e volta de Porto Alegre (RS) a Belém (PA). No Paraná, foram furtados no mesmo período 70 mil quilos de condutores de cobre, o equivalente a R$ 490 mil. Casos graves foram relatados pelos diretores de companhias, como por exemplo, o caso de um linchamento em Campinas (SP) quando a população, irritada pelos furtos de cabos e os apagões no município, resolveu cortar dedos e a orelha do ladrão.
''Sabemos que fazemos parte de um contexto de agravamento da questão social brasileira. As pessoas buscam fontes de renda. Algumas de forma ilícita e perigosa. Além de cometer crime, o ladrão corre risco de vida'', afirmou o engenheiro eletricista André Luis de Castro David, funcionário da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Para acabar com o problema, as empresas estão sugerindo que os governos estaduais criem delegacias especializadas em combater crimes que envolvam energia elétrica. Já existem delegacias especializadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba e Bahia.
''Pode parecer pouco, mas 100 metros de cabo roubados deixam uma comunidade inteira sem luz, pequenos proprietários de empresas ficam sem fontes de renda. Pode causar apagões em determinadas regiões. Isso tem que ser fortemente combatido'', pontuou. O prejuízo financeiro também é relevante. Só com a reposição do material subtraído em 2003 das 12 maiores empresas do mercado consumidor de eletricidade no País foram gastos mais de R$ 10 milhões para repor 1,5 mil quilômetros de cabos condutores e outros 906 equipamentos. O assunto foi tema em destaque ontem no 1º Workshop sobre Furtos e Fraudes de Energia e Roubo de Condutores e Equipamentos, que aconteceu em Curitiba e reuniu cerca de 370 pessoas ligadas aos setores de energia, água, telecomunicações e assessores jurídicos de empresas brasileiras, paraguaias e argentinas.
O furto de energia também preocupa o setor. As distribuidoras brasileiras deixaram de faturar quase R$ 3,6 bilhões no ano passado por conta do uso clandestino de energia e das fraudes contra a medição do consumo de eletricidade. O valor da receita perdida pelas concessionárias equivale ao faturamento anual de uma empresa do porte da Copel, que atende a 3,1 milhões de ligações e comercializou no ano passado 18,7 milhões de megawatts por hora. ''As perdas de energia e os furtos acabam sendo computados no preço da tarifa. A concessionária pode não perder muito no final, mas o consumidor paga tarifas oneradas e que poderiam ser mais baratas se tivessem maior rigor no combate a esse tipo de crime'', analisou o engenheiro, em entrevista à Folha.


