Furtado condena meta de inflação
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O sistema de metas de inflação, adotado a partir deste ano pelo Ministério da Fazenda e o Banco Central, é uma fantasia, segundo o economista e ex-ministro do Planejamento Celso Furtado. Na verdade, o governo não está programando uma inflação, mas a recessão necessária para conter as pressões inflacionárias, em vez de planejar o crescimento, criticou Furtado, no seminário Desenvolvimento: o Fato e o Mito, ontem na Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
Acho que tem de ter inflação, afirmou Furtado, ao comentar as condições necessárias para o desenvolvimento. O governo de FHC já assumiu, ao determinar a meta para este ano, que a inflação deve ficar próxima de 8%.
Para o ex-ministro, o Plano Plurianual (PPA) apresentado pelo governo no final de agosto é mais um trabalho de ficção do que estratégia política. No plano trienal que fiz para o governo João Goulart, os recursos viriam dos ganhos de produtividade, mas no PPA conta-se com a iniciativa privada, explicou. E ela já foi consultada?, questionou.
O ex-ministro disse também que não acredita no alcance da meta de US$ 100 bilhões em exportações em 2002. O governo pensava que a mudança cambial resultaria em um boom das exportações, mas o comércio internacional é muito protecionista e o Brasil não tem como entrar na briga.
A economista Maria da Conceição Tavares, palestrante de amanhã no seminário, também declarou ser favorável ao controle de capitais. Para ela, outra medida necessária imediata é tirar o programa do FMI, acabar com as privatizações e voltar a ter um BC independente do mercado e respondendo ao governo. Há alternativas, desde as conservadoras até as mais populares, disse a economista. O que não pode é deixar o governo destruir este País.
Segundo a economista, o Plano Real acabou em 1995, depois da crise mexicana. José Serra (ministro da Saúde) , Mendonça de Barros (ex-ministro das Comunicações) e o falecido Sérgio Motta (ministro das Comunicações) queriam mudar o plano ali, mas agora são os pesos pesados da indústria paulista que vão entrar em cena. Na opinião de Conceição Tavares, o novo ministro Alcides Tápias representa a burguesia que sobrou, como o Bradesco, o Grupo Camargo Corrêa e o Grupo Votorantim.





