A estatal Furnas Centrais Elétricas, que está em processo de privatização, foi uma das vencedoras do leilão feito ontem pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) na Bolsa do Rio para conceder o direito à construção e exploração de três novos trechos de linhas de transmissão de energia elétrica no país. Furnas levou uma concessão e o consórcio formado pelas empresas Schahin Engenharia e Alusa ganhou as outras duas.
O diretor-geral da Aneel, José Mário Abdo, disse que o modelo adotado para as licitações de linhas de transmissão não exclui a participação do segmento estatal. Abdo disse ainda que consultou o CND (Conselho Nacional de Desestatização) sobre a inscrição de Furnas e que a resposta obtida também não vetava a presença da estatal no leilão.
O presidente de Furnas, Luiz Carlos Santos, disse que a empresa entrou no leilão porque, como o modelo de privatização conhecido até agora não prevê a venda da área de transmissão de energia, ela precisa agregar valor a essa área.
Furnas arrematou a concessão para construir e operar o trecho de 328 km do sistema Sul-Sudeste, ligando as cidades de Bateias (PR) e Ibiúna (SP). A estatal propôs uma receita máxima de ‘‘pedágio’’ pelo transporte de energia no trecho de R$ 81,531 milhões por ano.
O critério de definição do leilão era a menor remuneração pelo serviço prestado. Furnas não teve concorrente e ofereceu o maior preço admitido pela Aneel. O investimento para construir a linha está estimado em R$ 412 milhões.
O Consórcio Schahin-Alusa só teve concorrente na disputa de uma das duas linhas que ganhou. Na disputa pelo trecho Tucuruí-Vila do Conde, no Pará (323 km, R$ 155 milhões de investimentos), ela venceu com uma proposta de receita máxima de R$ 28,636 milhões por ano, com um deságio (desconto) de 8% sobre o preço máximo admitido, superando a proposta da Earth Tech Brasil Ltda.
Já a linha Tucuruí (PA)-Presidente Dutra (MA), em uma extensão de 920 km e com investimentos de R$ 623 milhões, o consórcio ganhou sem disputa, pedindo uma receita anual de R$ 123,333 milhões.
Pelas regras de licitação, a linha Tucuruí-Vila do Conde terá que ficar pronta em 14 meses. As outras duas têm 22 meses de prazo. A linha Tucuruí-Vila do Conde é considerada essencial para assegurar o abastecimento de energia elétrica ao pólo metalúrgico de Barcarena (PA).
O pólo tem como base as produções de alumina (produto intermediário entre o minério de bauxita e o alumínio) e de alumínio em lingotes, feitas, respectivamente, pela Alunorte e pela Albrás, ambas do grupo Vale do Rio Doce. A indústria de alumínio é uma das maiores consumidoras de energia elétrica.
Copel foraO consórcio Energia-Sul Sudeste, do qual fazia parte a Copel, não chegou a fazer proposta no leilão das linhas de transmissão da interligação Sul-Sudeste. O superintendente-geral de Transmissão da Copel, Henrique Sérgio Corrêa de Azevedo, afirmou ontem que a proposta de preço proposta pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não foi satisfatória para as empresas que compunham o grupo. ‘‘O limite de preço não permitiria a rentabilidade mínima’’, afirmou Azevedo.
A Aneel colocou como limite para as concorrentes do leilão das linhas de transmissão o teto de R$ 81,53 milhões como receita ao ano. ‘‘Dentro deste teto a rentabilidade não seria suficiente, pois teríamos que investir muito’’, afirmou. A agência reguladora do setor energético colocou como necessário um investimento de R$ 412 milhões. O consórcio Energia Sul-Sudeste era formado pelas empresas Alusa, Schain Engenharia e PEM Engenharia.

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