São Paulo - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, acredita que exista atualmente ''um ambiente receptivo'' no governo para propostas de desoneração tributária. Ao fazer esta avaliação, ele sugeriu a um grupo de empresários que enviem propostas sobre o assunto para discussão, destacando ''o ambiente recorde de arrecadação tributária''. ''Não queremos manter esse excesso de arrecadação. Queremos devolver parte disso para a população'', comentou, durante reunião-almoço com empresários na Fecomercio-SP.
Segundo ele, a tributação da cesta básica foi um dos temas discutidos na reunião ministerial da última sexta-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além da desoneração de produtos que compõem a cesta, incluindo itens de limpeza e higiene pessoal, além dos de alimentação, Furlan disse que o governo discute desoneração de produtos utilizados pela construção civil.
O ministro lembrou que hoje a população compra produtos que embutem, em alguns casos, de 40% a 50% de impostos. Nesse sentido, a desoneração não apenas aumentaria consumo, como beneficiaria a saúde e o bem-estar das famílias.
Apesar da paralisia do Executivo e do Congresso, Furlan disse ter a expectativa de que seja criada até novembro a Secretaria Nacional de Comércio e Serviços, no âmbito de seu ministério, que será um órgão de interlocução com as entidades de Comércio e Serviços. Ele também acredita que o projeto que visa a simplificação da abertura e o fechamento de empresas avance ainda neste ano.
Após o recebimento de mais de 300 sugestões da sociedade até junho, o projeto está em fase final de redação no ministério, para que, depois, seja enviado ao Congresso Nacional pelo presidente da República. A proposta reduz pela metade o número de operações burocráticas para abrir ou fechar as empresas. O prazo máximo para essas operações, segundo Furlan, seria de duas semanas, o que beneficiaria, principalmente, pequenas companhias.
Apelo - O ministro Furlan fez também um apelo aos empresários para que não se deixem contaminar pelo ''bombardeio'' das notícias da crise política e mantenham a confiança na economia do País. ''Nossa preocupação no ministério é de que o bombardeamento de notícias não afete o ânimo das empresas'', admitiu.
Furlan pediu para que os empresários não vinculem as decisões racionais das empresas à emocionalismo que permeia a turbulência política. ''No final, essa turbulência vai passar e as empresas vão continuar. E os fornecedores e clientes também vão continuar '', ponderou, lembrando que as empresas que recuarem agora podem vir a perder espaço para seus concorrentes no futuro. ''De uma forma ou de outra, o Brasil encontrará o caminho para esta transição'', afirmou.

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