Furlan propõe diversificação de moedas
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terça-feira, 23 de novembro de 2004
Folhapress 
São Paulo O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, defendeu ontem a diversificação da cesta de moedas que as empresas brasileiras usam para exportar. ''Está na hora de o Brasil exportar diversificando moedas, de usar o euro, o iene e a libra esterlina para evitar que a desvalorização do dólar afete a rentabilidade das empresas brasileiras'', disse Furlan em discurso no 24º Encontro Nacional do Comércio Exterior, em São Paulo.
Segundo o ministro, o contexto de desvalorização mundial do dólar pode terminar por ''arrastar'' os ganhos dos exportadores brasileiros e torná-los ''reféns do dólar''. Mas Furlan apontou que o enfraquecimento da cotação da moeda norte-americana pode ter um lado benéfico para um fundamento macroeconômico importante. ''O dólar nesse nível pode ajudar o Brasil a recompor as suas reservas internacionais'', avaliou. Esse indicador é um dos aspectos levados em consideração para a formação do risco-país.
O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Benedicto Fonseca Moreira, argumentou que a utilização de outras moedas para transações comerciais pode ser um instrumento para os exportadores. ''Quando nós queremos vender, eles querem nos pagar em dólar, quando queremos comprar, querem nos vender em euro. Claro que isso não é bom.''
No entanto, segundo Moreira, o ritmo de diversificação da cesta de moedas da exportação deve ser lento. ''O Brasil tem que ser mais competitivo internamente e superar barreiras internas, como gargalos, burocracia'', disse. Para ele, o Brasil precisa ''de mais força interna'' para poder ganhar respeito internacional e conseguir que os importadores de produtos brasileiros paguem em moedas mais fortes, como o euro.
Canadá Após um período de estremecimento das relações bilaterais entre o Brasil e o Canadá, os dois países devem ''reativar'' a parceria. Essa foi a tônica do discurso do primeiro-ministro canadense, Paul Martin, anteontem em São Paulo. Martin reuniu-se com empresários da Câmara de Comércio Brasil-Canadá. O evento iniciou a agenda de compromissos oficiais do representante do governo canadense no Brasil. Hoje, ele se encontra com o presidente Lula. Na mesa de negociações, estarão propostas para o aumento do intercâmbio comercial entre os dois países. Em 2003, as importações canadenses de produtos brasileiros atingiram US$ 2 bilhões. A pauta brasileira para o país continua dominada por produtos primários, como suco de laranja e açúcar mascavo. Do outro lado, o Canadá exportou para o Brasil US$ 895 milhões no ano passado, com destaque para artigos como papel jornal e cloreto de potássio.
As relações entre os dois países azedaram quando o Canadá apresentou uma queixa formal à Organização Mundial do Comércio (OMC) em que acusou a brasileira Embraer de usar mecanismos ilegais de subsídio.


